Faz anos que eu queria ler algum livro do Oliver Sacks, pois me interessava pelo assunto que ele aborda em suas obras, e, nesse primeiro contato, a experiência foi muito positiva. Sacks é um neurologista que traz, em seus livros, alguns casos em que trabalhou ou estudou ao longo de sua carreira na área.
A escrita dele é de fácil entendimento e bastante didática, o que fez com que eu logo me envolvesse nos casos apresentados. Neste livro, ele fala sobre os pacientes que observou in loco. Além de nos aprofundarmos nas condições desses pacientes, também conhecemos um pouco sobre a vida de cada um, entendendo as dificuldades que enfrentam e como fazem para superá-las.
Dentre os casos que ele descreve, os que mais me tocaram foram: o do Pintor Daltônico, que trata de um pintor que, após um acidente de carro, perdeu a visão das cores fazendo com que sua vida mudasse drasticamente da noite para o dia; o do Último Hippie, um rapaz que, após desenvolver um tumor no cérebro, passou a apresentar diferentes condições, como cegueira e amnésia, ficando "preso" nos anos 70; e o caso de Virgil, que, depois de passar praticamente a vida inteira sem enxergar, voltou a ter visão após um procedimento, precisando "aprender" a enxergar novamente.
Não menos importante, temos o caso que dá nome ao livro, o de Temple Grandin, uma mulher que apresenta um dos espectros do autismo, mas que não foi impedida de ter uma vida plena e ativa, chegando até a conquistar um PhD. Em todos os casos, percebo que o leitor pode estabelecer uma conexão com as histórias aqui descritas e sentir empatia pelas situações vividas pelos pacientes.
Recomendo para quem tem interesse em entender um pouco mais sobre a complexidade do ser humano e as diferentes condições que podem acontecer com cada um de nós. Quero ler mais dele no futuro.