'The Debordian analysis of modern life resonates more deeply and darkly than perhaps even its creator thought possible...' - The New Yorker 'Never before has Debord's work seemed quite as relevant as it does now' - The Guardian 'Guy Debord is a time bomb, and a difficult one to defuse.' - Michael Löwy First published in 1967, Guy Debord's stinging revolutionary critique of contemporary society, The Society of the Spectacle has since acquired a cult status. The Das Kapital of the 20th century. An essential text, and the main theoretical work of the Situationists. Few works of political and cultural theory have been as enduringly provocative. From its publication amid the social upheavals of the 1960's up to the present, the volatile theses of this book have decisively transformed debates on the shape of modernity, capitalism, and everyday life. 'In Society of the Spectacle, Debord sets out his best-known statement of how the categories of capitalism colonise everyday life to such an extent that we can barely imagine an existence beyond them.' - Sydney Review of Books 'The Society of the Spectacle [is] about not just the clamor of images but also the silence of power, a silence which, since the seventies, has become deafening.' - McKenzie Wark 'Never before has Debord's work seemed quite as relevant as it does now, in the permanent present that he so accurately foretold? Open his book, read it, be amazed, pour yourself a glass of supermarket wine - as he would wish - and then forget all about it, which is what the Spectacle wants.' - Will Self 'In The Society of the Spectacle, Debord made plain that a 'unified critique of culture' implied a critique of the social totality. This was his practico-theoretical method throughout his career as a revolutionary: he saw no distinction between cultural work and political work.' - Bruce Russell 'I read [The Society of the Spectacle] again and I thought, "This is a fucking amazing book!" I had forgotten how terrific it was, and it was actually quite different to how I remembered it. I insist that the key chapter is not the first one, on the spectacle itself, but the second to last - the chapter on détournement. To me, that concept is the great gift of the Situationists. [They] realized that one can exploit this critically - one can copy and correct in the direction of hope.' - Los Angeles Review of Books About the author Guy Debord (1931-1994) was a Marxist theorist, writer, poet, filmmaker, hypergraphist, cultural revolutionary and a founding member of the Lettrist International and Situationist International - groups that fused avant-garde art and politics as an anti-capitalist weapon. Few works of political and cultural theory have been as enduringly provocative as Debord's Society of the Spectacle, which decisively transformed debates on the shape of modernity, capitalism and contemporary life.
The Society of the Spectacle - (Ebook) English Edition
Guy Debord
Lista de livros: A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord
Parte I: O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens. O espetáculo não pode ser compreendido como o abuso de um mundo da visão, o produto das técnicas de difusão massiva de imagens. Ele é bem mais uma Weltanschauung (cosmovisão) tornada efetiva, materialmente traduzida. É uma visão do mundo que se objetivou. O espetáculo, compreendido na sua totalidade, é ao mesmo tempo o resultado e o projeto do modo de produção existente. Ele não é um suplemento ao mundo real, a sua decoração readicionada. É o coração da irrealidade da sociedade real. Sob todas as suas formas particulares, informação ou propaganda, publicidade ou consumo direto de divertimentos, o espetáculo constitui o modelo presente da vida socialmente dominante. Ele é a afirmação onipresente da escolha já feita na produção, e o seu corolário, o consumo. Forma e conteúdo do espetáculo são, identicamente, a justificação total das condições e dos fins do sistema existente. O espetáculo é também a presença permanente desta justificação, enquanto ocupação da parte principal do tempo vivido fora da produção moderna. * * No mundo realmente reinvertido, o verdadeiro é um momento do falso. Considerado segundo os seus próprios termos, o espetáculo é a afirmação da aparência e a afirmação de toda a vida humana, isto é, social, como simples aparência. Mas a crítica que atinge a verdade do espetáculo descobre-o como a negação visível da vida; como uma negação da vida que se tornou visível. * * O espetáculo apresenta-se como uma enorme positividade indiscutível e inacessível. Ele nada mais diz senão que o que aparece é bom, o que é bom aparece. A atitude que ele exige por princípio é esta aceitação passiva que, na verdade, ele já obteve pela sua maneira de aparecer sem réplica, pelo seu monopólio da aparência. O caráter fundamentalmente tautológico do espetáculo decorre do simples fato de os seus meios serem ao mesmo tempo a sua finalidade. Ele é o sol que não tem poente, no império da passividade moderna. Recobre toda a superfície do mundo e banha-se indefinidamente na sua própria glória. A sociedade que repousa sobre a indústria moderna não é fortuitamente ou superficialmente espetacular, ela é fundamentalmente espetaculosa. No espetáculo, imagem da economia reinante, o fim não é nada, o desenvolvimento é tudo. O espetáculo não quer chegar a outra coisa senão a si próprio. Enquanto indispensável adorno dos objetos hoje produzidos, enquanto exposição geral da racionalidade do sistema, e enquanto setor econômico avançado que modela diretamente uma multidão crescente de imagens-objetos, o espetáculo é a principal produção da sociedade atual. O espetáculo submete a si os homens vivos, na medida em que a economia já os submeteu totalmente. Ele não é nada mais do que a economia se desenvolvendo para si própria. É o reflexo fiel da produção das coisas, e a objetivação infiel dos produtores. A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social levou, na definição de toda a realização humana, a uma evidente degradação do ser em ter. A fase presente da ocupação total da vida social pelos resultados acumulados da economia conduz a um deslizar generalizado do ter em parecer, de que todo o ter efetivo deve tirar o seu prestígio imediato e a sua função última. Ao mesmo tempo, toda a realidade individual se tornou social, diretamente dependente do poderio social, por ele moldada. Somente nisto em que ela não é, lhe é permitido aparecer. * Mais do blog Lista de Livros em: https://listadelivros-doney.blogspot.com.br/2017/07/a-sociedade-do-espetaculo-parte-i-guy_7.html XXXXXXXXXXXXXXXX Parte II: O raciocínio sobre a história é inseparavelmente raciocínio sobre o poder. * O espetáculo é a ideologia por excelência, porque expõe e manifesta na sua plenitude a essência de qualquer sistema ideológico: o empobrecimento, a submissão e a negação da vida real. O espetáculo é, materialmente, a expressão da separação e do afastamento entre o homem e o homem. O novo poderio do embuste que se concentrou aí tem a sua base nesta produção pela qual com a massa dos objetos cresce (...) o novo domínio dos seres estranhos aos quais o homem está submetido. É o estádio supremo duma expansão que virou a necessidade contra a vida. A necessidade de dinheiro é portanto a verdadeira necessidade produzida pela economia política, e a única necessidade que ela produz (Manuscritos econômico-filosóficos). O espetáculo alarga a toda a vida social o princípio que Hegel, na Realphilosophie de Iena, concebe como o do dinheiro; é a vida do que está morto movendo-se em si própria. * * A primeira intenção da dominação espetacular era fazer desaparecer o conhecimento histórico em geral; e em primeiro lugar quase todas as informações e todos os comentários razoáveis sobre o mais recente passado. Uma evidência tão flagrante não necessita ser explicada. O espetáculo organiza com mestria a ignorância do que acontece e, logo em seguida, o esquecimento daquilo que pôde apesar de tudo tornar-se conhecido. O mais importante é o mais escondido. Vinte anos depois, nada foi mais recoberto de tantas mentiras comandadas como a história de Maio de 1968. Contudo, lições úteis foram tiradas de alguns estudos desmitificados sobre essas jornadas e as suas origens, mas são segredo de Estado. Na Franca, há já uma dezena de anos, um Presidente da República, esquecido em seguida, mas flutuando, então, à superfície do espetáculo, exprimia inocentemente a alegria que ressentia, sabendo que viveremos a partir de agora num mundo sem memória, onde, como na superfície da água, a imagem afasta indefinidamente a imagem. É efetivamente cômodo para quem está nos negócios; e sabe manter-se neles. O fim da história é um agradável repouso para todo o poder presente. Garante-lhe absolutamente o êxito do conjunto das suas iniciativas, ou pelo menos o ruído do êxito. Um poder absoluto suprime tanto mais radicalmente a história, quanto tem de ocupar-se dos interesses ou das obrigações mais imperiosas, e principalmente conforme encontrou mais ou menos grandes facilidades práticas de execução. Tsin Che Hoang Ti mandou queimar os livros, mas não conseguiu fazê-los desaparecer todos. Stalin levava mais longe a realização de um projeto semelhante no nosso século, mas, apesar das cumplicidades de toda a espécie que encontrou fora das fronteiras do seu império, ficava uma vasta zona do mundo inacessível à sua polícia, onde se riam das suas imposturas. O espetacular integrado fez melhor, com novíssimos métodos, e operando desta vez mundialmente. A inépcia faz-se respeitar por todo o lado, já não é permitido rir dela; em todo o caso, tornou-se impossível fazer saber que se riem dela. O domínio da história era o memorável, a totalidade dos acontecimentos cujas consequências se manifestariam durante muito tempo. Era inseparavelmente o conhecimento que deveria durar e ajudaria a compreender, pelo menos parcialmente, aquilo que aconteceria de novo: uma aquisição para sempre, diz Tucídides. Por isso, a história era a medida duma novidade verdadeira; e quem vende a novidade tem todo o interesse em fazer desaparecer o meio de a medir. Quando o importante se faz socialmente reconhecer como aquilo que é instantâneo, e vai sê-lo no instante seguinte, e no outro e noutro ainda, e que substituirá sempre uma outra importância instantânea, pode também dizer-se que o meio utilizado garante uma espécie de eternidade desta não-importância, que fala tão alto. A preciosa vantagem que o espetáculo retirou deste pôr fora-da-lei da história, de ter já condenado toda a história recente a passar à clandestinidade, e de ter conseguido fazer esquecer muito frequentemente o espírito histórico na sociedade, é antes de tudo cobrir a sua própria história: o próprio movimento da sua recente conquista do mundo. O seu poder aparece já familiar, como se tivesse estado lá desde sempre. Todos os usurpadores quiseram fazer esquecer que acabam de chegar. * * Mais do blog Lista de Livros em: https://listadelivros-doney.blogspot.com.br/2017/07/a-sociedade-do-espetaculo-parte-ii-guy.html XXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte III: Jamais a censura foi tão perfeita. Jamais a opinião daqueles a quem se faz crer ainda, em certos países, que são cidadãos livres, foi tão pouco autorizada a tornar-se conhecida, cada vez que se trata duma escolha que afetará a sua vida real. Jamais foi permitido mentir-lhes com uma tão perfeita ausência de consequência. O espectador é suposto ignorar tudo, não merecer nada. Quem olha sempre, para saber a continuação, jamais agirá: e tal deve ser o espectador. Tudo aquilo que nunca é sancionado é verdadeiramente permitido. É pois arcaico falar de escândalo. Atribui-se a um homem de Estado italiano de primeiro plano, tendo exercido funções simultaneamente no ministério e no governo paralelo chamado P.2, Potere due, uma divisa que resume profundamente o período em que entrou o mundo inteiro, um pouco depois da Itália e dos Estados Unidos: Havia escândalos, mas já não há. * * Em Janeiro de 1988, a Máfia colombiana da droga publicava um comunicado destinado a retificar a opinião pública sobre a sua pretendida existência. A maior exigência duma Máfia, onde quer que possa estar constituída, é naturalmente estabelecer que não existe, ou que foi vítima de calúnias pouco científicas; esta é a primeira semelhança com o capitalismo. Mas na circunstância, esta Máfia irritada por ser a única posta em evidência chegou a evocar os outros agrupamentos que queriam fazer-se esquecer, tornando-a abusivamente por bode expiatório. Declarava: Nós não pertencemos à Máfia burocrática e política, nem à dos banqueiros e financeiros, nem à dos milionários, nem à Máfia dos grandes contratos fraudulentos, à dos monopólios ou à do petróleo, nem à dos grandes meios de comunicação. Pode seguramente considerar-se que os autores desta declaração, como os outros, têm interesse em verter as suas práticas no vasto rio de águas turvas da criminalidade e das ilegalidades banais, que inunda em toda a sua extensão a sociedade atual; mas também é justo reconhecer que se trata de pessoas que, por profissão, sabem melhor que ninguém do que falam. * * O espetáculo é uma miséria, mais que uma conspiração. E os que escrevem nos jornais do nosso tempo não nos escondem nada da sua inteligência. * Mais do blog Lista de Livros em:
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