O castelo de papel - Uma história de Isabel de Bragança, princesa imperial do Brasil, e Gastão de Orléans, conde d’Eu

    Mary del Priore

    Editora Unesp
    2024
    306 páginas
    10h 12m
    ISBN-13: 9786557112113
    Português Brasileiro

    Entre descrições evocativas de Petrópolis, Rio de Janeiro e Paris, trechos de cartas que permitem vislumbrar a interioridade dos biografados e excertos de jornais e revistas que revelam os anseios populares e o cotidiano do século XIX, O castelo de papel é um envolvente retrato do período que antecedeu a queda do Império brasileiro – uma nação mergulhada em conflitos irreconciliáveis, tentando resistir à inexorável marcha da história.

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    Paulo Ricardo Schwind28/02/2014Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Nossos príncipes não são como os outros...

    Se alguém espera uma história emocionante, como aquelas que nos acostumamos sobre a nobreza inglesa e francesa , com reviravoltas, traições,paixões avassaladoras, desista. A história do relacionamento entre a Princesa Isabel e o Conde D'Eu , guardadas as devidas proporções por se tratar da filha de Pedro II, poderia ser igualmente a de qualquer mulher portuguesa da década de 20, criada por um pai severo e mantida protegida ,primeiro pelo pai,depois pelo marido. E isso é assustador - D. pedro não preparou a filha para sucedê-lo, não a inteirou das realidades do governo de tal forma que a própria detestava governar e sua preocupação com a escravidão era mais de um fruto da educação católica do que real compaixão pelos negros - a própria assinatura da Lei Áurea é retratada como uma consequência de forças externas que já lutavam pela abolição do que a conclusão de uma atuação da princesa ao longo dos anos. Enquanto Pedro 2º é apresentado sob uma matiz apagada,como alguém que mantêm a monarquia apenas para ajudar seu passamento, é Gastão D'Orleans que aparece como a personagem mais interessante e perspicaz e ainda assim, pouco pôde fazer : espremido entre o imperador, que não o deixava participar do Governo, a esposa que só queria ser mãe e agradar ao pai e aos políticos que encaravam com desconfiança um estrangeiro perto do trono, sua atuação foi bem pífia;mesmo sua participação na Guerra do Paraguai foi mais um serviço de limpeza , visando poupar caxias, do que uma prova de confiança do imperador. É um livro que se arrasta...ler a vida da Princesa Isabel e do Conde D'Eu é como ler sobre a vida de um dono de mercearia ; Zélia Gattai, em Anarquistas graças a Deus, consegue tornar a família dela bem mais vívida . Porém, o livro é uma aula interessante sobre História, contextualizando as pressões no exterior para findar a escravidão,os molimentos abolicionistas no Brasil e a Proclamação da República , esta bem pouco esmiuçada. Mas faz sentido - o livro é apresentado sob a ótica do casal, casal este cuja existência resumia-se a tentar fazer filhos - e depois disse educá-los - e só; a extinção da Monarquia ,como ocorre no livro, é como a morte de Sirius Black - num instante está vivo, no outro instante acabou e o mundo continuou sem ser afetado.

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