O Castelo de Papel [ebook] - Uma história de Isabel de Bragança, princesa imperial do Brasil, e Gastão de Orléans, conde d’Eu

    Mary del Priore

    Rocco Digital
    2013
    323 páginas
    10h 46m
    ISBN-10: B00D1955ES
    Português Brasileiro

    Conhecida por combinar o rigor da pesquisa historiográfica com uma narrativa fluida e romanceada, a historiadora Mary del Priore narra O castelo de papel, episódios importantes da história recente do Brasil, como a Guerra do Paraguai, a Proclamação da República e a abolição dos escravos, a partir da trajetória da princesa Isabel e do conde d'Eu. Protagonistas de uma história de amor digna de conto de fadas - a união por interesse familiar não impediu que fossem apaixonados por toda a vida - o casal, que teve fundamental importância na corte brasileira, representa o retrato acabado do romance do século XIX. Baseado em uma vasta documentação, O Castelo de Papel, finalista do Prêmio Jabuti na categoria Biografia, reconstrói o mundo que dava sentido ao romance dos dois personagens, conduzindo o leitor a um dos períodos mais interessantes de nossa história. Um tempo onde reis perdiam suas coroas, barões eram aposentados de sua grandeza, mas que, como mostra o romance, príncipes e princesas ainda casavam e eram felizes para sempre.

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    Paulo Ricardo Schwind picture
    Paulo Ricardo Schwind28/02/2014Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Nossos príncipes não são como os outros...

    Se alguém espera uma história emocionante, como aquelas que nos acostumamos sobre a nobreza inglesa e francesa , com reviravoltas, traições,paixões avassaladoras, desista. A história do relacionamento entre a Princesa Isabel e o Conde D'Eu , guardadas as devidas proporções por se tratar da filha de Pedro II, poderia ser igualmente a de qualquer mulher portuguesa da década de 20, criada por um pai severo e mantida protegida ,primeiro pelo pai,depois pelo marido. E isso é assustador - D. pedro não preparou a filha para sucedê-lo, não a inteirou das realidades do governo de tal forma que a própria detestava governar e sua preocupação com a escravidão era mais de um fruto da educação católica do que real compaixão pelos negros - a própria assinatura da Lei Áurea é retratada como uma consequência de forças externas que já lutavam pela abolição do que a conclusão de uma atuação da princesa ao longo dos anos. Enquanto Pedro 2º é apresentado sob uma matiz apagada,como alguém que mantêm a monarquia apenas para ajudar seu passamento, é Gastão D'Orleans que aparece como a personagem mais interessante e perspicaz e ainda assim, pouco pôde fazer : espremido entre o imperador, que não o deixava participar do Governo, a esposa que só queria ser mãe e agradar ao pai e aos políticos que encaravam com desconfiança um estrangeiro perto do trono, sua atuação foi bem pífia;mesmo sua participação na Guerra do Paraguai foi mais um serviço de limpeza , visando poupar caxias, do que uma prova de confiança do imperador. É um livro que se arrasta...ler a vida da Princesa Isabel e do Conde D'Eu é como ler sobre a vida de um dono de mercearia ; Zélia Gattai, em Anarquistas graças a Deus, consegue tornar a família dela bem mais vívida . Porém, o livro é uma aula interessante sobre História, contextualizando as pressões no exterior para findar a escravidão,os molimentos abolicionistas no Brasil e a Proclamação da República , esta bem pouco esmiuçada. Mas faz sentido - o livro é apresentado sob a ótica do casal, casal este cuja existência resumia-se a tentar fazer filhos - e depois disse educá-los - e só; a extinção da Monarquia ,como ocorre no livro, é como a morte de Sirius Black - num instante está vivo, no outro instante acabou e o mundo continuou sem ser afetado.

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