Não temos aqui apenas uma história ou uma personagem, mas sim uma mulher que fala por tantas outras. Este é um livro que deve ser lido não só por mulheres, mas também por homens e qualquer outra pessoa que queira compreender a vida e suas transformações.
Com uma escrita fluida e intensa, Paula Klien não poupa detalhes, abordando temas como amor, sexualidade, maternidade e fé em suas mais variadas formas. É impossível não se emocionar e vibrar com as vitórias e derrotas de Laví, uma mulher que, apesar de todos os desafios, nunca deixou de viver plenamente.
Laví é uma personagem inesquecível. Desde a infância, como uma menina que desde cedo não teve medo de buscar o prazer, até a vida adulta, onde enfrenta dilemas profundos entre seguir expectativas familiares e perseguir seus próprios sonhos.
A narrativa de Paula Klien captura o leitor, e me vi vidrado, lendo vários capítulos seguidos. Um dos pontos fortes são as crenças que a autora expõe sem medo através da personagem Laví. As passagens sobre se conectar com a natureza e os deuses são particularmente encantadoras.
Muitos dos temas abordados são tabus para muitas pessoas, especialmente quando se trata de falar sobre si mesmo. Desde muito cedo, Laví inicia a descoberta sobre seu corpo e alma, explorando os estágios de sua vida. Em meio ao prazer e à dor, Laví revela suas forças e fraquezas, mostrando todas as vezes que precisou morrer para renascer.
O título "Todas as Minhas Mortes" tem uma profunda associação com os orgasmos presentes na vida e obra. Os franceses chamam o orgasmo de "la petite mort", que significa “a pequena morte”. Já o nome da personagem, Laví, propositalmente escolhido pela autora, enfatiza a palavra “vida” em francês, trazendo uma mulher que desconstrói preconceitos em relação a temáticas fortes.