Léon l'Africain (Le Livre de Poche) -

    Amin Maalouf

    JC Lattès
    1986
    348 páginas
    11h 36m
    ISBN-10: 2253041931

    Cette autobiographie imaginaire part d’une histoire vraie. En 1518, un ambassadeur maghrébin, de retour d’un pèlerinage à La Mecque, est capturé par des pirates siciliens, et offert en cadeau à Léon X. Ce voyageur s’appelait Hassan al-Wazzan. Il devint le géographe Jean-Léon de Médicis, dit Léon l’Africain. Sa vie, que ponctuent les grands événements de son temps, est fascinante: il se trouvait à Grenade pendant la Reconquista, d’où il a dû fuir l’Inquisition, en Égypte lors de la conquête du pays par les Ottomans, en Afrique noire à l’apogée de l’empire de l’Askia Mohamed Touré, enfin à Rome aux plus belles heures de la Renaissance, ainsi qu’au moment du sac de la ville par les soldats de Charles Quint. Homme d’Orient et d’Occident, homme d’Afrique et d’Europe, on pouvait difficilement trouver personnage dont la vie corresponde davantage à l’époque étonnante que fut le xvie siècle.

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    Leila Cardoso19/09/2025Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Leão, o Africano, é daqueles livros que pedem entrega do leitor. Amin Maalouf parte de uma figura real — Hassan al-Wazzan, diplomata e viajante do século XVI — e cria uma narrativa em primeira pessoa, como se o próprio personagem escrevesse suas memórias. Acompanhamos, então, um homem arrancado da Granada muçulmana, exilado em Fez, e que, ao longo da vida, percorre diferentes culturas até chegar a Roma, onde ganha o nome que ficou para a história: Leão, o Africano. A estrutura do romance é curiosa já de início: Maalouf não começa direto pelo protagonista, mas pela geração anterior, mostrando de onde ele veio. Esse recurso deixa clara a marca principal do livro: uma história feita de cruzamentos, fronteiras e identidades em trânsito. E, mesmo sendo uma obra histórica, o autor não deixa de recheá-la com cores ficcionais que a tornam quase fantásticas em alguns momentos. O que me chamou atenção, e confesso, gostei bastante, foram as personagens femininas. Ao contrário do que se poderia esperar em um relato histórico (daquela época), as mulheres não aparecem como pano de fundo, mas como figuras fortes, diferentes entre si, que impactam diretamente a trajetória do protagonista. Esse destaque foi uma das surpresas mais legais da leitura pra mim. Claro que, em vários momentos, também cheguei a pensei: “será que alguém viveu mesmo tudo isso?”. E é aí que está a fronteira delicada do livro: Maalouf costura o que se sabe do Hassan real com muitas camadas de romance. O resultado não é uma biografia no sentido estrito, mas também não é pura ficção. É esse lugar híbrido — entre o documento e a invenção — que torna o livro tão interessante. Gostei mais de Leão, o Africano do que de Samarcanda, outra obra do autor que li antes. Aqui, senti mais vida, mais humanidade e também um mergulho mais generoso na história. E preciso deixar registrado: essa leitura foi especial porque foi feita em conjunto com uma amiga muito querida, Cristina Melchior - Relivrando. Ela me ajudou a contextualizar tanto o pano de fundo histórico quanto os aspectos religiosos da narrativa. Confesso que, sozinha, não teria aproveitado tanto a leitura — ainda mais nesses tempos em que minha mente anda tão aérea. Nossas leituras compartilhadas sempre dão certo., mas nesse caso em especial, ela foi a leitora atenta e também uma mestre. Enfim, prepare-se para viajar junto: Hassan/Leão parece ter vivido dez vidas em uma só, e Maalouf nos dá a chance de acompanhar cada uma delas com intensidade.

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