Nesta sequência do aclamado A idiota, Selin não é a mesma caloura inocente em Harvard. Mais madura, mas ainda influenciada pela literatura e pela filosofia, ela retoma sua busca por autoconhecimento e observa atentamente suas relações -- com amigos, com a família e com Ivan -- para, assim, tentar finalmente encontrar seu caminho na vida adulta. Em Ou-ou, Elif Batuman dá continuação ao relato minucioso dos dias de Selin na faculdade, iniciado em A idiota -- livro finalista do prêmio Pulitzer e que revelou a autora como uma das vozes mais originais e representativas da nova geração. Depois de dois semestres de pouca ação, resumidos a pensar demais em tudo e obsessivamente trocar e-mails com Ivan -- um estudante húngaro por quem se apaixona --, a estudante de literatura Selin Karadağ enfim percebe que precisa começar a agir. Guiada pelos livros e influenciada por seus amigos, ela finalmente reconhece a importância incontornável das festas, do álcool e do sexo, e resolve aproveitá-las ao máximo. Com o título inspirado no livro do filósofo Søren Kierkegaard sobre ética e estética -- conceitos basilares para Selin compreender a vida e como vivê-la --, Ou-ou é mais um romance impressionante de Elif Batuman, que se vale de símbolos imprescindíveis da geração millennial para tratar da universalidade da juventude.
Ou-ou -
Elif Batuman
Ou-ou
De: joaovitorlago@hotmail.com Para: queridos_leitores@gmail.com Assunto: Ou-ou, Elif Batuman. Um novo sentimento deveria ser criado e colocado ao lado de amor, tristeza, medo e angústia: ser jovem. Ou talvez, ser jovem é a junção de todos esses sentimentos. O supremo. Por isso, é impossível não se identificar novamente com Selin em mais um ano em Harvard e em mais uma ano na sua juventude. Todos seus questionamentos anteriores permanecem — eles nunca vão embora —, mas agora fazem companhia para mais outros. Se no primeiro livro, Selin — e eu, lá 2021 quando li o romance — nos sentíamos os maiores idiotas do mundo, em Ou-ou — e em 2024 — continuamos nos sentindo, mas mais conscientes das nossas atitudes e decisões (até parece). Selin se sente traída por Ivan e pela Linguística, e para coletar pistas desse túnel escuro da juventude, ela se prende a um livro: Ou-ou, do filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard. O livro questiona diretamente o que é viver uma vida ética e uma vida estética. Esses dois opostos são mostrados no livro por Selin e Svetlana, sua amiga, (e uma das melhores personagens de todos os tempos!), onde tentam descobrir o sentido de viver por meio da Literatura & Filosofia, mas de formas diferentes. Assim como nos nossos anos seguintes da faculdade, Selin começa a viver experiências consideradas parte integral dessa etapa: muitos amigos, festas, empregos chatos, desilusões e experienciar a sexualidade. Ler tudo isso me dava vontade de agarrar o livro e dormir ao seu lado. A escrita da Elif continua inteligente, bem-humorada e fluída. Impossível não se sentir amigo da Selin, e amigo dos amigos dela. Por que Elif estava escrevendo outro livro sobre mim? Assim como no primeiro livro, da metade pro final, o cenário muda: Selin vai para várias regiões da Turquia, e vivência experiências sufocantes, sentimentais, culturais & familiares. Ah, Selin… Quando vou te encontrar de novo enquanto como meu salgadinho Yokitos (que empesteou meu quarto com o fedor) sabor queijo? Sei que em qualquer momento posso reler os dois livros e conversar com você novamente, mas quero novas experiências e saber o que te — me aguarda pro futuro. Tradução de Odorico Leal.
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