Barrabás -

    Pär Lagerkvist

    Sator
    2025
    196 páginas
    6h 32m
    ISBN-13: 9786598010621
    Português Brasileiro

    Barrabás foi solto e Jesus crucificado, no alto do Gólgota, entre dois ladrões. Os Evangelhos não acrescentam mais uma palavra sobre o destino de Barrabás. E nenhuma lenda, nenhuma tradição nos dá qualquer outra notícia dele. O que teria sido feito desse homem perverso, coração enegrecido de ódio, que já contava, certamente, com a pena máxima e se tornou livre, de um momento para outro, graças ao ódio mais denso desesperado no povo por um Inocente? Como veria Barrabás esse desfecho imprevisto que o restituía à vida e à liberdade? Continuaria na senda do crime ou experimentaria naquela alma turva algum bafejo da graça? Ninguém soube, ninguém o saberá. Nessa perspectiva de mistério foi buscar-lhe a figura odienta o romancista sueco Lagerkvist para, com o auxílio de uma imaginação poderosa, norteada por um profundo pensamento filosófico, projetá-la em empolgante romance

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    Valério Santos Teixeira02/12/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O bode expiatório

    Ao pensar em Barrabás, a maioria dos cristãos sentem uma ponta de ressentimento. Afinal, Barrabás era um ladrão contumaz, um homem sem princípios e assassino. E, para que Jesus fosse crucificado, Barrabás foi libertado. Mas poucos os que refletem que Barrabás não escolheu ser liberto em lugar de Jesus Cristo. Ademais, Jesus foi crucificado porque assim estava escrito, assim haveria de ser. Assim, se fôssemos atribuir a Barrabás a responsabilidade pelo que ocorreu, deveríamos quase que nos sentir agradecidos, pois Barrabás teria ajudado a se cumprir os desígnios divinos. Quantas vezes em nossas vidas não nos vemos diante de situações como essa. Culpamos pessoas próximas pelos infortúnios que nos acometem. Mas muitas vezes elas pouco ou nada tem a ver com isso. E, mesmo que tenham, muitas vezes devemos passar por experiências, como parte de uma estratégia maior. E coube àquela pessoa ser o responsável pela nossa tribulação necessária. Apenas não sabemos aceitar resignados o que nos é imposto, como corajosa e santamente o fez Jesus Cristo. A história deste livro traz o peso moral que perseguiu Barrabás logo após ter sido solto. Barrabás não acreditava em Cristo como Messias e Salvador. Mas também não duvidava. Era apenas indiferente. E, ao recomeçar sua vida, se viu convivendo com pessoas que acreditavam no Filho de Deus e começou a se questionar. Mas, de coração duro, ainda assim não se converteu. Procurava apenas viver a sua vida. Até ser aprisionado como escravo em uma mina e se aproximar de seu companheiro de correntes. A vida lhe traz surpresas e Barrabás se vê o tempo todo envolto pela aura e pelo rastro que Jesus deixou na terra. Impressiona o realismo da obra, como o autor teve a perspicácia de imaginar o restante da vida de Barrabás e como se nos parece verossímel, a ponto de não acreditarmos que pudesse ter sido muito diferente. Um livro excelente, profundo e delicado. Lindo. Um livro para Cristãos, ateus e agnósticos.

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