Surpreendente e profético, A abolição do homem é um dos livros mais debatidos de C.S. Lewis. Nas poucas, porém densas páginas desta obra, o célebre autor britânico defende a moralidade absoluta e os valores universais, como o altruísmo, a caridade e o amor, para expor as consequências do abandono desses princípios na sociedade. Criticando os argumentos dos relativistas, a obra – parte da coleção de luxo C.S. Lewis, em capa dura e nova tradução – alerta para os perigos de questionar os valores morais objetivos, comuns a todos, independente de suas diferentes culturas, sem os quais as pessoas correm o risco de perder a humanidade. Com bases sólidas e profundas, Lewis mostra que a tentativa de abolir a moralidade equivale, no fim, a abolir o próprio homem, e convida os leitores a não se render à tendência relativista que permeia a sociedade contemporânea.
A abolição do homem -
C. S. Lewis
Resenha de A Abolição do Homem
Com um conturbado inicio, o século XX foi rapidamente engolido por grandes governos ditatoriais os quais massacravam e roubavam qualquer um em seu caminho. O ideal maquiavélico de “os fins justificam os meios” tomou a Europa e talvez o mundo. Alguns homens traiam seus países por medo ou dinheiro, outros, enxergava sua pátria como um deus o qual deveria ser adorado por meio de sangue e violência. Nesse contexto, com sua primeira data de publicação em 1943, A Abolição do Homem, de C.S Lewis, tem como tema a relativização ética e moral do ser humano. Após receber um livro didático destinado aos jovens do ensino médio o qual tem em si, de forma implícita, uma ideologia empirista, um dos mais influentes autores cristãos dos últimos tempos se propõe a fazer uma crítica direta aos vícios da era contemporânea os quais estão tão presos aos relativismos da forma certa de conduta. À vista disso, com cerca de 110 páginas, a escrita é dividida em três capítulos: Homem sem peito, O caminho e A abolição do homem. E um apêndice o qual reúne regras e valores diversos de religiões. Dito isso, o líquido da obra tem cerca de 80 páginas de uma dura e racional oposição aos subjetivismos. Por meio de varias divagações sobre as consequências do condicionamento das bases éticas a algo abstrato, o autor não se abstém de longos de desenvolvimentos até demonstrar o porquê de suas conclusões, como, por exemplo, “Criamos os homens sem peito e esperamos deles a virtude e a iniciativa. Zombamos da honra e ficamos chocados ao encontrar traidores em nosso meio”. Dessa forma, há um ataque liquidante através de analogias e contextualizações, além de maneira brilhante, demonstrar o quão perigosa é essa falsa noção de mundo relativo e como ela já afetou e poderá afetar toda a forma de se viver em sociedade. A Abolição do Homem foi a minha primeira obra de Lewis, li com a intenção de ter um tempo descontraído e sequer olhei a sinopse antes de começar. Ledo engano. Por muitas vezes me perdi e fui frustrado por não compreender bem. Apesar disso, depois de esforço e persistência, as ideias começam a se encaixar de forma mais natural e a leitura toma um novo tom mais ameno. No final, por incrível que pareça ficamos com uma forte vontade de continuar a ler mais sobre o tema. Portanto, apesar do tamanho diminuto da obra, A Abolição do homem é talvez uma das escritas mais complexas de Lewis. Entretanto, essa complexidade justifica-se como necessária, pois ao fim, tem-se um total entendimento daquilo pretendido pelo autor e não sobram brechas teóricas ou argumentos rasos. Como consequência disso, recebe-se um presente de retórica a qual poderá ser usada em diversos momentos ao longo da vida. Um ótimo livro para aqueles em busca de um tema atual e complicado o qual estará sempre, de forma implícita, presente nos debates, sejam eles políticos, religiosos ou familiares. Para mais resenhas, acesse: aprendilendo.com.br
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