Esta edição bilíngue traz as 26 meditações do poeta John Donne. A obra procura apresentar as reflexões do autor em relação à perenidade da vida e a preparação do corpo e do espírito para o encontro final com o criador.
MEDITAÇÕES -
John Donne
Edições (2)
Ver maisMais cedo ou mais tarde, ela virá...
Ler e opinar sobre um romance popular ou sobre a tão infame (ou mal-afamada) literatura de entretenimento é fácil, às vezes até fácil demais. Gostei / Não gostei, porque isso ou aquilo ou aquilo outro. Mas como analisar críticos, opinar sobre uma obra metafisica, de poesia, da literatura inglesa de séculos atrás? Primeiro e antes de tudo, é preciso ter humildade. Sim, John Donne é um dos maiores poetas de todos os tempos (poema em prosa?). Lembro-me de tê-lo estudado em Literatura Inglesa, no curso de Letras, mas a minha imaturidade não me permitiu ver o horizonte do autor como agora, em meus tempos outonais (digamos assim). Refletindo sobre a existência humana, sobre a natureza, sobre o divino e o terreno a partir de uma doença que quase o levou à morte, o poeta me fez pensar em meus dias de hoje. Não tenho mais a juventude, essa época em que a morte parece tão distante que nunca chegaremos a alcançá-la (ou melhor, em nossa juventude, a morte parece tão distante que jamais nos alcançará). Hoje é diferente: o que Donne escreveu ecoa em mim vinda de séculos atrás. Sim, ele se recupera da doença, mas sabe que tudo tem (terá) seu fim e nisso reside a melancolia, a triste verdade de seus escritos. Não senti o carpe diem de outros autores, mas senti algo além do que simples seja feliz enquanto pode. Não senti algo tão metafísico quanto ele sentiu (afinal, quem sou eu para me comparar a John Donne?), mas, sendo humano, muito do que ele escreveu ressoa em mim. Uma pequena observação: você pode ler o livro em uma tarde (ou em uma tarde e noite, com mais vagar, se preferir), mas leia-o com calma, sem pressa, sem vontade de terminar logo para ir ao próximo livro. E aí vai a observação de que falei: a obra é bilíngue. Não sei como ocorre com você, mas não leio em outros idiomas. Não faço cotejos, não faço comparações, pois não tenho paciência nem interesse nesse aspecto literário e, por isso, a obra se tornou ainda mais rápida de ser lida. Mas eu tenho a plena consciência de que é como se eu tivesse lido a metade do livro e, embora não seja louco nem idiota para não reconhecer o imenso valor de uma boa tradução, eu continuo a adotar a máxima de minha pátria é minha língua. Em resumo: leia a obra de John Donne com calma, isolado, em silêncio e a experiência do poeta ecoará sobre teu espírito com aquela força que vem das gavinhas de certas plantas que se agarram aos esteios e não mais se soltam deles...
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