Em alguma parte alguma -

    Ferreira Gullar

    Companhia das Letras
    2024
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-13: 9788535938579
    Português Brasileiro

    Último volume publicado em vida pelo escritor laureado com o prêmio Camões, Em alguma parte alguma foi eleito Livro do ano pelo Jabuti em 2010. Um dos poetas mais admirados do século XX, o autor de Poema sujo deixou sua marca na literatura brasileira com versos inquietantes e comoventes, regidos pela liberdade de pensamento e por uma renovada surpresa com as coisas do mundo: seu corpo, a paisagem ao redor e a força da linguagem. Num amálgama que funde passado, presente e futuro, Gullar evoca as lembranças de São Luís do Maranhão, observa a vista da janela de seu apartamento em Copacabana e medita sobre o brilho de galáxias distantes e a iminência da morte. Sua poesia, como ele costumava dizer em entrevistas, nasce do espanto ― de alguma fagulha que, embora real, surge como uma evidência do inesperado, do improvável, do impossível. Publicado originalmente em 2010, o extraordinário Em alguma parte alguma é uma celebração à vida e é também uma reflexão afiada da finitude. Se os versos descrevem minuciosamente as cores e o cheiro das bananas na fruteira, eles atestam, ao mesmo tempo, a implacável chegada do bolor. Nas palavras de Antonio Carlos Secchin, esse olhar “se lança tanto microscopicamente à textura espessa das frutas condenadas ao apodrecimento quanto telescopicamente à solidão esquiva e silenciosa do cosmo.”

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    Maurem Kayna18/10/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "O" livro

    Poesia não costuma me seduzir. Acho que nem lembro a última vez (se houve) que comprei um livro de poesia para mim, mas há poucos dias resolvi comprar o livro do Desassossego na Amazon e li uma matéria sobre esse último livro do Ferreira Gullar na revista da cultura, então... Bom, afundei na vertigem dessas parte alguma. Nada de perpçexidades melífluas. É um mergulho agudo mas sem acidez no intrincado emaranho de viver e morrer de todo dia. concisão, rigor, profundidade e clareza, lembrando a música de Vitor Ramil que talvez nem combine diretamente com o solar dessas cenas impregnadas na lucidez de Gullar.

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