Em Cora Coralina estão as raízes de todos nós. Sua poesia constrói-se na tradição que vem dos tempos passados em busca da afirmação futura. Seu Vintém de cobre é ouro. Quase memórias, ou meias confissões como a autora prefere, Vintém de cobre reúne poemas ricos de experiência humana, escritos em tom simples e comunicativo, no lirismo quase de toada sertaneja, peculiar a Cora Coralina. Chamados de vintém de cobre, por malícia, são na realidade puras e autênticas moedas de ouro. A obra de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas (1889-1985), nome de batismo da autora, é um dos marcos recentes de nossa literatura. Nascida em Goiás, em 1889, Cora teve uma trajetória literária peculiar. Embora escrevesse desde moça, tinha 76 anos quando seu primeiro livro foi publicado, e quase noventa quando sua obra chegou às mãos de Carlos Drummond de Andrade, responsável por sua apresentação ao mercado nacional. Desde então, sua literatura vem conquistando crítica e público. Cora Coralina não se filiou a nenhuma corrente literária. Com um estilo pessoal, foi poeta e uma grande contadora de histórias e coisas de sua terra. O cotidiano, os causos, a velha Goiás, as inquietações humanas são temas constantes em sua obra, considerada por vários autores um registro histórico-social do século XX.
Vintém de cobre - Meias confissões de Aninha
Cora Coralina
Clichê, mas e daí?
Esse livro tem sido muito comparado a 50 tons, então se a sua dúvida é se ele é um livro hot, cheio de cenas picantes, digo logo que não é! Tem alguns fatos que realmente lembram 50 tons, mas no geral, não tem nada a ver. Ele é romântico e paciente. Muita gente tem reclamado que ele é um livro cliché, bem, ele É um livro cliché, mas e daí? Se o livro é um romance entre a menina pobre e o menino rico, é clichê; se o final é feliz, é clichê; se um dos dois morre de alguma doença no fim, é clichê. Parece que tudo é clichê hoje em dia. Só podemos ler livros não-clichês? O inferno de Gabriel é um daqueles livros que você não consegue parar de ler, mesmo sem conseguir explicar bem o porquê. Um livro que cita músicas de qualidade, arte e literatura, só por isso já merece algum crédito. O livro é muito bem escrito, tem diálogos longos com bom vocabulário, sem muitas gírias. Cita Dante Aliguieri e seu inferno a cada parágrafo. A analogia entre o amor de Gabriel e Júlia com o amor de Dante e sua Beatriz está presente do início ao fim, o que deixa o livro muito mais rico do que muitos romances do gênero. Júlia é uma menina inocente, doce, mas também deu seus gritos quando preciso e buscou quase sempre o diálogo como opção para resolver a situação. Gabriel é seu professor, aquele do tipo temido, rigído e frio. Mas também é do tipo que faz as mulheres suspirarem e tem sua fama com elas. Ele tem seu passado sombrio, que lhe atormenta e lhe tira o sossego. Não gosto de dar spoilers, acho que a sinopse já diz muito, mas o relacionamento entre esses dois personagens é sutil e ao mesmo tempo forte, é carinhoso e alvoroçado, e é sobretudo paciente. O inferno de Gabriel mostra (não as primeiras páginas, óbvio!) como se comporta um cavalheiro diante de uma mulher (ou pelo menos como deveria)! Eu sei que é um amor possessivo e que isso não é saudável, mas lembremos que é ficção e que esse é um recurso comumente usado nas histórias para intensificar um sentimento. É um livro bonito, de um amor intenso e, repito, paciente. É um livro gostoso de se ler, faz quem nunca leu Dante querer ler (muitos pontos por isso!) e faz quem já leu querer reler. O livro não termina daquela maneira que você quer correr logo pra ler o #2 e descobrir algum segredo, já não ficam lacunas a serem preenchidas. Por enquanto fica só a ressaca de um romance maravilhoso.
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