Vintém de cobre - Meias confissões de Aninha

    Cora Coralina

    Global
    2005
    237 páginas
    7h 54m
    ISBN-10: 8526011790
    Português Brasileiro

    No tempo do mil réis, o vintém de cobre era a moeda mais desvaliosa, aquela que mal comprava um doce. Cora Coralina batizou com o nome da velha moeda as suas quase memórias, ou meias-confissões, como ela prefere, redigidas em versos. Vida tumultuada, cheia de esbarrões do destino que, em vez de provocar desânimo, podem despertarar no espírito de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas (nome verdadeiro de Cora Coralina) uma fibra de guerreira e uma sabedoria considerada simples, por vezes meio marota, feita de respeito e piedade pelo ser humano, sobretudo pelos que sofrem, mas também com um fundo de ironia mansa e de malícia sem maldade, um humor típico da gente do interior, um sarcasmo angelical, mistura de humildade franciscana e revolta diante das estúpidas repressões da sociedade e da dureza dos costumes antigos, sob os quais se criou, foi educada e que lhe deixou marcas na alma. Poema - 'Na casa antiga, castigos corporais e humilhantes, coerção,/ atitudes impostas, ascendência férrea, obediência cega./ Filhos foram impiedosamente sacrificados e despojados./ E para alguma rebeldia indomável, lá vinha a ameaça terrível, impressionante/ da maldição da mãe, a que poucos resistiam./ Do resto prefiro não esmiuçar'.

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    Vanessa Maria12/04/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Clichê, mas e daí?

    Esse livro tem sido muito comparado a 50 tons, então se a sua dúvida é se ele é um livro hot, cheio de cenas picantes, digo logo que não é! Tem alguns fatos que realmente lembram 50 tons, mas no geral, não tem nada a ver. Ele é romântico e paciente. Muita gente tem reclamado que ele é um livro cliché, bem, ele É um livro cliché, mas e daí? Se o livro é um romance entre a menina pobre e o menino rico, é clichê; se o final é feliz, é clichê; se um dos dois morre de alguma doença no fim, é clichê. Parece que tudo é clichê hoje em dia. Só podemos ler livros não-clichês? O inferno de Gabriel é um daqueles livros que você não consegue parar de ler, mesmo sem conseguir explicar bem o porquê. Um livro que cita músicas de qualidade, arte e literatura, só por isso já merece algum crédito. O livro é muito bem escrito, tem diálogos longos com bom vocabulário, sem muitas gírias. Cita Dante Aliguieri e seu inferno a cada parágrafo. A analogia entre o amor de Gabriel e Júlia com o amor de Dante e sua Beatriz está presente do início ao fim, o que deixa o livro muito mais rico do que muitos romances do gênero. Júlia é uma menina inocente, doce, mas também deu seus gritos quando preciso e buscou quase sempre o diálogo como opção para resolver a situação. Gabriel é seu professor, aquele do tipo temido, rigído e frio. Mas também é do tipo que faz as mulheres suspirarem e tem sua fama com elas. Ele tem seu passado sombrio, que lhe atormenta e lhe tira o sossego. Não gosto de dar spoilers, acho que a sinopse já diz muito, mas o relacionamento entre esses dois personagens é sutil e ao mesmo tempo forte, é carinhoso e alvoroçado, e é sobretudo paciente. O inferno de Gabriel mostra (não as primeiras páginas, óbvio!) como se comporta um cavalheiro diante de uma mulher (ou pelo menos como deveria)! Eu sei que é um amor possessivo e que isso não é saudável, mas lembremos que é ficção e que esse é um recurso comumente usado nas histórias para intensificar um sentimento. É um livro bonito, de um amor intenso e, repito, paciente. É um livro gostoso de se ler, faz quem nunca leu Dante querer ler (muitos pontos por isso!) e faz quem já leu querer reler. O livro não termina daquela maneira que você quer correr logo pra ler o #2 e descobrir algum segredo, já não ficam lacunas a serem preenchidas. Por enquanto fica só a ressaca de um romance maravilhoso.

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