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    Cassandra -

    Christa Wolf

    Farrar, Straus and Giroux
    1983
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9780374519049
    3.9
    40 avaliações
    Leram42Lendo8Querem200Relendo1Abandonos3Resenhas14
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    In this volume, the distinguished East German writer Christa Wolf retells the story of the fall of Troy, but from the point of view of the woman whose visionary powers earned her contempt and scorn. Written as a result of the author's Greek travels and studies, Cassandra speaks to us in a pressing monologue whose inner focal points are patriarchy and war. In the four accompanying pieces, which take the form of travel reports, journal entries, and a letter, Wolf describes the novel's genesis. Incisive and intelligent, the entire volume represents an urgent call to examine the past in order to insure a future.

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    Cristina Lasaitis picture
    Cristina Lasaitis14/12/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Livro BÁRBARO!

    Fui fuçar uma livraria aqui perto de casa (um dos meus passatempos preferidos), quando, desinteressada e quase acidentalmente, desencavei este livro de uma prateleira. Achei a capa simpática. Levava o nome de uma personagem dos meus contos, um nome cuja origem eu me cobrava conhecer. Levei sem titubear, mas também sem grandes expectativas. Eu mal sabia O livro é dividido em duas partes. A primeira é um monólogo íntimo de Cassandra. Princesa de Tróia, filha do rei Príamo e da rainha Hécuba. Sacerdotisa consagrada ao templo de Apolo, cai nas graças do deus, que lhe dá o dom da profecia. Contudo, sem correspondê-lo, é amaldiçoada: ninguém jamais haveria de acreditar em suas palavras. É quando Páris, seu irmão renegado, retorna e inventa uma linda história - o rapto de Helena -, uma farsa que acaba comprando uma danada briga com os gregos; irrompe assim a Guerra de Tróia. O final, todos já conhecem: a destruição da cidade. Parece óbvio, Cassandra avisa, mas ninguém a quer escutar. Mandam prender essa estragaprazeres que só prevê desgraças em um calabouço. A guerra é perdida. Cassandra, feita prisioneira de Clitemnestra, conhece o fim que a aguarda, e nas horas que precedem o seu assassinato repassa as cenas embaralhadas de toda a sua vida. É uma narrativa maravilhosamente bem escrita. Extraordinária! Na segunda parte, Christa Wolf fala sobre uma viagem à Grécia e de como a figura de Cassandra se apoderou de seus pensamentos. Ao longo de quatro conferências a autora conta diversas facetas de sua vida pessoal e literária. Christa é alemã e foi durante muitos anos filiada ao partido socialista para ser mais específica: vivendo na Alemanha ocidental durante a Guerra Fria! Enquanto escrevia o livro, na década de 80, o mundo estava sob a ameaça de uma guerra nuclear; ela retratou em nuances esses meses tensos, e, colocando-se como uma Cassandra moderna, previu a tragédia que parecia iminente (felizmente estava errada). Christa também tece uma análise da condição feminina nos mitos e na história grega. Descreve como a religião, inicialmente matriarcal e baseada no culto à deusa-mãe, foi aos poucos sendo masculinizada e hierarquizada, catalisando a transição da figura feminina de respeitável (mãe) a temida (bruxa). Interessante também o contraste entre a condição social da mulher na civilização minóica e a conhecida submissão das mulheres de Atenas. Cassandra é, no final das contas, uma das raras vozes femininas que falam por si próprias na lírica grega. Ainda assim, na voz de terceiros. Ao cabo de tudo isso, ficou minha indignação pela referência nunca recomendada, por jamais ter ouvido cogitarem o nome de Christa Wolf essa escritora que me deixou totalmente rendida. Um achado acidental bastante feliz. Se é que o acaso existe.

    8 curtidas

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    • 4 estrelas33%
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