Ligações Perigosas -

    Choderlos De Laclos

    L&PM
    2016
    416 páginas
    13h 52m
    ISBN-13: 9788525433572
    Português Brasileiro

    A magia que eterniza uma obra como Ligações perigosas (1782), de Pierre-Ambroise-François Choderlos de Laclos (1741-1803), está em sua atualidade através dos tempos, em sua universalidade e em sua capacidade de postular com antecipação conceitos apenas muito mais tarde consagrados, nesse caso, as ideias de Freud. A primeira edição, de 1782, com dois mil exemplares, esgotou-se em apenas duas semanas; seguiu-se nova impressão e, naquele ano, houve quinze (!) edições piratas. “Nenhum romance dos tempos atuais”, escreveu um contemporâneo, “teve sucesso tão estrondoso.” Naquele tempo, o sucesso da obra foi considerado como “escândalo”, tanto chocaram as maldades e as motivações psicológicas mais que mesquinhas da Marquesa de Merteuil e do Visconde de Valmont em suas conquistas amorosas. [...] Um aspecto das qualidades de escritor de Laclos que escapou à crítica do momento foi a poderosa ironia com que retratou as motivações emocionais mais profundas de seus personagens ou os costumes e as instituições de seu tempo, como, por exemplo, a própria religião, a educação das mulheres, o casamento, a caridade e as relações familiares e corteses. Se essa ironia mostra um mundo tenebroso, sobretudo aos olhos dos seus contemporâneos, é também cheia de vida e encanto e, assim como mantém nosso interesse pelos “horrores” que vão acontecendo pouco a pouco até o abrupto e enigmático desenlace, tem também a capacidade de deixar tudo em aberto. [...] O libertino Laclos seria finalmente consagrado cerca de 170 anos após a publicação de sua obra, quando passou a ser considerado um “clássico” de leitura obrigatória nas universidades francesas. As contínuas adaptações de Ligações perigosas – como ópera por Claude Prey (1974 e 1980), como peça para a televisão por Charles Brabant (1982 e 1985), e para o teatro por Heiner Müller (1985) e Christopher Hampton (1988), e como filme por Stephen Frears (1988, baseado na peça de Hampton) e Milos Forman (1989), e outras mais – comprovam a vitalidade e o apreço dessa obra nas últimas décadas. Trecho do posfácio de Fernando Cacciatore de Garcia

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    Felipe Severo picture
    Felipe Severo11/11/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Os tolos estão neste mundo para nossos pequenos prazeres"

    Esta é a filosofia que rege a Marquesa de Merteuil e o Visconde de Valmont, os dois inescrupulosos protagonistas de "As relações perigosas". Membros da aristocracia francesa pré-revolucionária, não tendo mais nada para se preocupar na vida a não ser o jogo de aparências de sua classe, os dois ocupam seu tempo seduzindo, criando intrigas e destruindo reputações apenas por divertimento. Cada um está em uma empreitada própria: o Visconde quer seduzir uma mulher casada e religiosa, para fazê-la renegar suas crenças; a Marquesa quer "desvirtuar" uma jovem recém saída do convento, noiva de um antigo amante seu. Mas como "são os melhores nadadores que se afogam", as coisas saem de controle e tudo caminha para um final maravilhoso. O livro é um romance epistolar composto por 175 cartas e mais algumas notas, e é engraçado que até as notas de rodapé acrescentam novas camadas à trama. É preciso ver através do verniz da escrita culta e formal, ler nas entrelinhas mesmo, para captar o porquê deste livro ter causado tanto escândalo em sua época: toda história gira em torno de sexo e traição e qualquer tipo de sentimentalismo é ironizado. Apesar da edição que eu tenho ser a clássica de capa dura com corte dourado, escolhi esse livro para ler nas minhas idas à praia. Isso me fez pensar no quando o escritor pouco ou nada sabe sobre seu leitor. Choderlos de Laclos dificilmente pensou que seu romance, uma crítica mordaz à classe dominante de seu tempo, continuaria sendo tão interessante e divertido para um jovem leitor brasileiro mais de 200 anos depois. Acho essa uma das belezas da literatura. Adorei!

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