Divórcio em Buda -

    Sándor Márai

    Companhia das Letras
    2024
    195 páginas
    6h 30m
    ISBN-10: B0DPGCZBVS
    Português Brasileiro

    Na véspera de oficializar a separação de um casal, o juiz Kristóf Kömives se surpreende ao receber a visita do marido, um antigo colega, e ouve um relato capaz de reabrir feridas há muito cicatrizadas. Divórcio em Buda faz uma rica descrição da burguesia decadente na Hungria dos anos 30, numa narrativa de grande densidade psicológica. Nos anos 20 e 30, Sándor Márai era um autor de sucesso na Hungria. Mas em 1948, quando partiu para o exílio, seus livros foram proibidos pelo regime comunista. Pouco depois de sua morte, em 1989, a obra de Márai começou a ser redescoberta, e desde então o escritor é situado pela crítica entre os maiores prosadores europeus do século XX. Assim como em As brasas, seu livro mais celebrado, Divórcio em Buda narra o reencontro de dois homens, depois de anos sem se falar, para um acerto de contas que envolve uma mulher. Escrito em 1935, o livro tem como protagonista um austero juiz de direito que está prestes a oficializar a separação entre um médico e a esposa, ambos seus conhecidos de juventude. Membro de uma família tradicional de advogados da Hungria, o jovem juiz Kristóf Kömives mora na cidade de Buda. Ele examina os papéis dos divórcios que irão a julgamento no dia seguinte e depara com um documento que lhe chama a atenção: o processo do médico Imre Greiner e sua esposa Anna Fazekas. Imre e Kristóf haviam sido colegas de escola, embora não chegassem a ser íntimos. A lembrança de Anna é mais intensa para o juiz: dez anos antes, Kristóf e ela tiveram um encontro marcante na Ilha Margarida. Kristóf recorda o episódio a caminho de uma reunião social, acompanhado de sua mulher. O casal volta cedo para casa e, ao chegar, o juiz recebe a visita de Imre Greiner. Surpreendido, o juiz se vê diante de um relato capaz de mexer em feridas que julgava há muito cicatrizadas. Rico na descrição dos hábitos da alta burguesia húngara, Divórcio em Buda revela o pessimismo de uma sociedade decadente às portas da Segunda Guerra Mundial, ao mesmo tempo em que ilumina os pontos mais obscuros da mente de seus personagens.

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    Bookster Pedro Pacifico28/04/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Divórcio em Buda, de Sándor Márai

    Um dos mais importantes escritores húngaros, Sándor Márai constrói um personagem repleto de conflitos e com uma interessantíssima densidade psicológica. Na Budapeste da década de 30, pré Segunda Guerra Mundial, o juiz Kristóf Kömives se depara com o dever de homologar um divórcio de um homem e uma mulher que já cruzaram os seus caminhos. Imre Greiner foi seu colega de escola e Anna Fazekas teve um encontro marcante com Kömives alguns anos antes. Essa sua tarefa desperta no protagonista diversas reflexões e dúvidas sobre o caráter moral do que precisa fazer como representando do Estado. Homologar um divórcio e destruir uma família seria o correto a fazer? A primeira parte do livro, que carrega um tom muito mais subjetivo e sem grandes acontecimentos, transporta o leitor justamente para os pensamentos conflituosos de Kömives. Ele se incomoda e sofre com o contraste entre o tradicional e o novo, entre o que o Estado lhe obriga a fazer e o que a religião entende como correto, entre o que é o moralmente correto e os desejos do ser humano. Gostei muito de como o autor conseguiu construir os personagens de forma sólida, retomando a vida do protagonista, de sua esposa e do casal que estava prestes a oficializar o divórcio. Esse processo conseguiu explicar muito dos pensamentos de Kömives, que nasceu em uma família aristocrática, seguindo os passos dos homens que o antecederam, todos bem sucedidos na carreira de magistrado. Ou seja, o protagonista vive o lado que enxerga nas mudanças uma possível ameaça a sua própria condição. Esse contraste entre progresso e tradição também é refletido na cidade que serve de cenário para a narrativa. Budapeste é dividida pelo rio Danúbio entre Buda, um local que preserva as construções mais antigas e serve de residência para a aristocracia, e Peste, um símbolo do progresso e da modernidade. Em janeiro, no mês da leitura para o clube Bookster pelo Mundo, visitei a capital húngara e pude vivenciar esse contraste. Senti como estivesse caminhando pelos mesmos trajetos seguidos pelo protagonista. A segunda parte do livro toma um fôlego maior, uma vez que o leitor acompanhará os diálogos entre Kömives e um visitante que aparece em sua casa no meio da madrugada, com uma confissão surpreendente. Esse encontro revolverá o passado e lembranças marcantes do protagonista. Eu gostei muito da leitura e das reflexões despertadas pelas contradições vividas por Kömives, mas reconheço que a obra mais lenta e introspectiva possa gerar um incômodo em certos leitores. Márai tem uma habilidade incrível de se aprofundar no psicológico dos personagens e de construir diálogos marcantes. Nota 9/10 Instagram: https://www.instagram.com/bookster/ Site https://booksterpp.com.br/

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