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    De verdade -

    Sándor Márai

    Companhia das Letras
    2008
    448 páginas
    14h 56m
    ISBN-10: 8535912053
    Português Brasileiro
    4.2
    183 avaliações
    Leram297Lendo25Querem461Relendo0Abandonos13Resenhas13
    Favoritos29Desejados461Avaliaram183

    Em De verdade, conflitos amorosos e de classe se combinam para revelar um amplo painel da burguesia europeia do século XX. Do autor de As brasas. Escrito ao longo de quatro décadas, e na voz de quatro narradores, De verdade - que alguns críticos reputam como a obra máxima do húngaro Sándor Márai - disseca os conflitos do amor e do casamento, além de revelar os bastidores da burguesia decadente da Europa Central entre as duas grandes guerras. Demarcando com agudeza a fronteira intransponível que separa as classes sociais, o romance reabre as cicatrizes de uma capital agonizante, sitiada pelas tropas comunistas. Numa confeitaria de Budapeste, Ilonka conta a uma amiga a história de seu casamento desfeito, e relembra a inutilidade do esforço para conquistar a alma do ex-marido, encantado desde a juventude por Judit, uma simples criada. Depois, na atmosfera carregada de um café, Péter, o ex-marido de Ilonka, narra a um amigo a sua versão sobre a separação. Trinta anos mais tarde, na cama de um quarto de hotel em Roma, Judit fala ao novo namorado, músico, sobre a união fracassada com Péter, condenada de início pelo abismo existente entre seu ressentimento indissolúvel e as amarras impostas a seu parceiro, nobre por herança e filiação. Finalmente, em Nova York, o baterista de cabaré, o último confidente de Judit, faz uma crítica áspera da ditadura da sociedade de consumo, responsável pelo fim do sonho americano.

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    Resenhas (13)Ver mais
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    Stela Antunes08/06/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    O que é "De verdade" nesta vida?

    Minha primeira experiência com o Autor e foi bem intensa. São quatro narrativas que se complementam em períodos diferentes da história. O que mais me deixou surpresa foi a capacidade do Autor nos fazer sentir: primeiro senti certa futilidade, depois tristeza, a distância intransponível do Marido, a angústia pelo vazio do seu casamento, por fim a descoberta da Mulher "de Verdade". Já a narrativa do Péter, o Marido, foi onde percebi a genialidade da escrita do Autor, o quanto seus Personagens são verdadeiros, com seus conflitos psicológicos bem desenvolvidos e a narrativa se torna um mar de amargura, ressentimento e as coisas são muito piores do que acreditávamos com a primeira narrativa. É uma narrativa forte, poética,reflexiva, cheia de preconceitos e desencanto, própria de um homem culto, burguês, extremamente solitário, vivendo conflitos internos desde sempre, em uma vida de aparências e padrões, há muito estabelecidos, desde seus antepassados. Peter narra sua tragédia particular, a história da sua família, de seu País e de seus dois casamentos fracassados, o primeiro com a Sua Mulher "de Verdade" e depois com Judit, a antiga criada da sua casa por Quem nutria uma paixão platônica e obsessiva. Para viver esse amor, que ele considerava 'de verdade', foi capaz de mudar sua vida, deixar a primeira Esposa e a Sociedade. Após muitas reflexões sobre a vida a da deslealdade financeira de Judit, em meio a queda da aristocracia húngara, Ele se resigna à solidão. Passados trinta anos, na itália, temos a narrativa de Judit para o Artista, seu Amante, que é surpreendente. A forma que uma Camponesa, criada no campo, sobrevivendo em valas com ratos, quando se torna criada na Casa dos Pais de Peter, enxerga a burguesia com todos os suas tradições e cultura é inacreditável. Ela considera todos loucos, com todos os costumes e tradições. Sempre forte, espera Péter para ser Senhora e ter tudo que o dinheiro pode comprar, embora não o amasse, foi seu marido "de Verdade". Através da narrativa de Judit, sabemos das atrocidades cometidas na guerra, a destruição da cidade pelos nazistas e comunistas, a vida nos abrigos e seu encontro com o Escritor, a quem Ela amou platonicamente e descreve como um encontro de almas. Por fim, a última narrativa do Artista que fugiu do Socialismo da União Soviética e foi para os EUA, seu encontro com Péter, conclui a obra com forte crítica ao capitalismo americano.

    23 curtidas

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    4.2 / 183
    • 5 estrelas42%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
    Sándor Károly Henrik Grosschmied de Mára profile picture

    Sándor Károly Henrik Grosschmied de Mára

    Húngaro, nasceu em Kassa (hoje Kosice, na Eslováquia), em 1900. Poeta, dramaturgo, correspondente em Paris do Frankfurt Zeitung na época da República de Weimar, é autor de 46 livros, na maioria romances, que tiveram enorme sucesso na Hungria entre as duas guerras mundiais. Exilou-se em 1948, inconformado com o regime comunista de seu país. Morou na Suíça, na Itália e na França. Em 1979, fixou-se em San Diego, nos Estados Unidos, onde se suicidou com um tiro de revólver dez anos depois, às vésperas do fim do comunismo europeu.

    22 Livros
    72 Seguidores

    Sándor Károly Henrik Grosschmied de Mára