Poética (L&PM Pocket) -

    Aristóteles

    L&PM
    2025
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9786556664736
    Português Brasileiro

    O que faz uma obra literária ser bela? O leitor tem em mãos a obra fundamental da crítica literária – que embasou e embasa todas as reflexões sobre o fazer ficcional. Escrita, provavelmente, entre 335 e 323 a.C., a Poética consiste em notas de aula utilizadas pelo filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.). Na época de Aristóteles, era a tragédia a principal forma literária, aquela considerada mais elevada e distinta (seguida pela epopeia e pela comédia). É, portanto, sobre essa primeira que foca o filósofo para desenvolver conceitos como catarse, mimese, ação, unidade e elocução, com os quais se debruça ora sobre a Ilíada, de Homero, ora sobre Édipo rei, de Sófocles. Suas reflexões geraram uma fortuna crítica incalculável que as desdobra, expande e reformula até os dias de hoje. Esta nova tradução direta do texto grego é acompanhada de apresentação, notas e comentários que problematizam, explicam e contextualizam de forma acessível este que é um dos textos mais revolucionários e importantes da Antiguidade – cujos ensinamentos podem ser aplicados tanto aos clássicos da literatura quanto às obras contemporâneas de ficção.

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    André Siqueira23/06/2021Resenhou um livro
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    A Poética de Aristóteles se insere em um contexto de uma democracia incipiente aliada a primeira tentativa sistemática de uma polis organizada segundo os princípios da igualdade de governança e representação (ainda que tremendamente exclusiva; e em vários sentidos irônica; excluindo mulheres, crianças, estrangeiros de qualquer espécie ou pessoas sem propriedade). O centro de tal mundo se localizava em Atenas, cercada de pequenos Estados que se agrupavam e guerreavam ao sabor das necessidades. Aristóteles teve como mentores Sócrates e Platão, que sob certo aspecto, solidificaram novas formas de diálogo e comunicação para atender as novas necessidades discursivas da polis e da democracia emergente (maiêutica, drama, comédia, diálogos platônicos e a própria filosofia). Diversos outros nomes, como Esquilo, Sofócles e Eurípedes são mencionados; embora sua influência se observe melhor nas obras que se quer catalogar. Assim, Aristóteles não precisa defender a existência de uma filosofia, ou gênese de pensamento, como seus mentores; antes chega a uma realidade onde estes métodos do saber já estão razoavelmente ancorados, encontrando solo fértil para germinar suas ideias. A poética é exemplo de como ele trabalha em todas suas obras, de forma divergente aos diálogos Socráticos (consolidados por Platão): primeiro realiza uma definição do tema; seguida uma explicação causal do fenômeno e por fim uma demonstração de sua essência, aquela característica que lhe seria única e portanto, métrica para defini-la. O ponto que parece principal e delineador da obra é que nela são possíveis observar, pelo menos em potência, grande parte das teorias literárias que ocuparam espaços hegemônicos dentro da academia; desde os formalistas russos e sua preocupação a forma, passando pela análise de discurso francesa e sua preocupação com a mensagem até a nova crítica norte americana e sua preocupação com a recepção; inclusive com citações diretas nas principais grandes obras que criaram estas linhas teóricas o que além de ilustrativo da importância que a obra têm para o meio literário a torna também leitura obrigatória para uma compreensão fortuita da literatura enquanto disciplina acadêmica.

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