Aristóteles é um dos maiores filósofos da Grécia antiga. Do século IV a.C. até os dias de hoje, seu pensamento não cessou de exercer influência sobre diversos ramos do conhecimento humano. Para Hegel, Aristóteles foi o primeiro a fazer história da filosofia. O texto da Arte Poética não chegou até nós em bom estado. Há neles certas lacunas que os filósofos tentaram restabelecer. É sabido que a Arte Poética é o resultado das lições professadas por Aristóteles. No parecer do professor W. D. Ross, "A Poética está longe de ser uma teoria da poesia em geral, menos ainda das belas artes. No entanto contém talvez o maior número de idéias fecundas sobre a arte que qualquer outro livro".
Arte Poética -
Aristóteles
A Poética de Aristóteles se insere em um contexto de uma democracia incipiente aliada a primeira tentativa sistemática de uma polis organizada segundo os princípios da igualdade de governança e representação (ainda que tremendamente exclusiva; e em vários sentidos irônica; excluindo mulheres, crianças, estrangeiros de qualquer espécie ou pessoas sem propriedade). O centro de tal mundo se localizava em Atenas, cercada de pequenos Estados que se agrupavam e guerreavam ao sabor das necessidades. Aristóteles teve como mentores Sócrates e Platão, que sob certo aspecto, solidificaram novas formas de diálogo e comunicação para atender as novas necessidades discursivas da polis e da democracia emergente (maiêutica, drama, comédia, diálogos platônicos e a própria filosofia). Diversos outros nomes, como Esquilo, Sofócles e Eurípedes são mencionados; embora sua influência se observe melhor nas obras que se quer catalogar. Assim, Aristóteles não precisa defender a existência de uma filosofia, ou gênese de pensamento, como seus mentores; antes chega a uma realidade onde estes métodos do saber já estão razoavelmente ancorados, encontrando solo fértil para germinar suas ideias. A poética é exemplo de como ele trabalha em todas suas obras, de forma divergente aos diálogos Socráticos (consolidados por Platão): primeiro realiza uma definição do tema; seguida uma explicação causal do fenômeno e por fim uma demonstração de sua essência, aquela característica que lhe seria única e portanto, métrica para defini-la. O ponto que parece principal e delineador da obra é que nela são possíveis observar, pelo menos em potência, grande parte das teorias literárias que ocuparam espaços hegemônicos dentro da academia; desde os formalistas russos e sua preocupação a forma, passando pela análise de discurso francesa e sua preocupação com a mensagem até a nova crítica norte americana e sua preocupação com a recepção; inclusive com citações diretas nas principais grandes obras que criaram estas linhas teóricas o que além de ilustrativo da importância que a obra têm para o meio literário a torna também leitura obrigatória para uma compreensão fortuita da literatura enquanto disciplina acadêmica.
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