Matias Aires publicou, em 1752, um pequeno livro, intitulado "Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens". Nele, não há apenas a construção de um sistema racional, mas a experiência de uma vida e o reflexo de um caráter. Os principais temas tratados no livro são os da vaidade, do amor e do ceticismo. Matias Aires coloca a vaidade como centro de suas meditações sobre o homem e a vida, não há apenas um conceito do homem e sim uma concepção geral do universo. Antecipando-se aos modernos filósofos existencialistas, Matias Aires parte da vaidade humana como origem de toda a sua compreensão das coisas. De qualquer modo, a vaidade é apresentada não como uma paixão do corpo, mas da alma. Ela é vício do entendimento e não da vontade, pois depende do discurso. Eis porque a mais forte e a mais vã de todas as vaidades é a que resulta do saber. A vaidade é uma espécie de luxúria, que deve ser enfrentada não com as forças do corpo, mas com as do espírito.




