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    A estrada -

    Cormac McCarthy

    Alfaguara
    2025
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9788556522580
    Português Brasileiro
    4.1
    3303 avaliações
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    Favoritos7Desejados5162Avaliaram3303

    Arrebatadora e original, A estrada não é apenas uma narrativa apocalíptica, mas também uma história comovente sobre amadurecimento, esperança e as relações profundas entre pai e filho. Vencedor do Pulitzer, obra-prima da literatura contemporânea e um dos livros mais aclamados de Cormac McCarthy, o romance retorna às livrarias em nova edição. Num futuro não muito distante, o planeta está devastado. As cidades foram transformadas em ruínas e pó; as florestas viraram cinzas, os céus ficaram turvos com a fuligem e os mares se tornaram estéreis; os poucos sobreviventes vagam em bandos. Em meio a essa Terra arrasada, um homem e seu filho caminham por estradas abandonadas, em direção à costa. Empurram um carrinho com seus poucos pertences, estão em farrapos e com os rostos cobertos por panos para se protegerem da fuligem que preenche o ar e recobre a paisagem. Tentam fugir do frio, sem saber, no entanto, o que encontrarão no final da viagem. Mas essa jornada é a única coisa que pode mantê-los unidos, que pode lhes dar um pouco de força para sobreviver. Obra que representa uma mudança surpreendente na ficção de McCarthy, A estrada é muito mais do que um relato pós-apocalíptico. É a história profunda e comovente de um pai e seu filho, "cada um o mundo inteiro do outro", e a jornada que empreendem num futuro em que não existe mais esperança. Nesse cenário desolador, o amor entre ambos os fará prosseguir em busca da salvação.

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    Régis Maz24/06/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Estrada é angustiante e comovente

    A Estrada (The Road) é o décimo livro do laureado autor Cormac McCarthy e o último livro escrito antes de seu hiato de quase dez anos. Ele foi lançado em 2006 e em 2007 recebeu o Prêmio Pulitzer de Ficção, além de receber vários outros prêmios e ser finalista em outras indicações.  Ao abrir o livro vemos uma dedicatória de Cormac para seu filho: "Esse livro é dedicado a John Francis McCarthy." Pois foi durante uma viagem para El Paso, no Texas, em companhia de seu filho John, que ao olhar pela janela do hotel e visualizar as colinas, as planícies e a natureza em volta, ele se pergunta: como será tudo isso daqui a cinquenta ou cem anos no futuro? Como seria se tudo isso estivesse destruído pelo fogo e só restassem cinzas? Como eu faria para sobreviver ao lado do meu filho nesse cenário pós-apocalíptico? E então surgiu a ideia para escrever "A Estrada".  Esse é um livro que se passa em um universo pós-apocalíptico onde acompanhamos pai e filho nessa road story através do cenário de um mundo devastado pelas mudanças climáticas e completamente sem biosfera. Tentando seguir rumo ao sul para fugirem do inverno brutal que se aproxima, buscando encontrar no litoral um jeito melhor de sobreviver.  Durante a caminhada através da estrada, vemos o desenvolvimento do relacionamento de pai e filho em um clima de resiliência e superação. E somos envolvidos por um suspense tenso, com pitadas de horror, que me fez segurar o fôlego em alguns momentos enquanto temia o que seguiria.  Cormac é mestre em criar ambientação. Acompanhei isso em "Onde os Velhos não Têm Vez" e em "A Estrada" não foi diferente. Ele escreve cenas brutais, construindo um ambiente absolutamente atroz, com poucos diálogos, mas com uma descrição precisa de tudo que cerca os personagens, nos transportando de forma efetiva para esse cenário cinza, frio, inóspito e aterrador em que o mundo se transformou.  O livro de Cormac é uma dessas leituras que não deve ser feita ancorada apenas no racional. Esse é um livro para se envolver emocionalmente, para sentir e se colocar no lugar dos personagens. Para testar sua humanidade e empatia e refletir sobre: como você se comportaria se fosse colocado nessa estrada em meio a essa atmosfera completamente contaminada pelo medo, em um mundo totalmente aterrador e sem esperança, onde alguns fazem qualquer coisa para sobreviver, inclusive recorrer ao canibalismo.  O autor tece imagens que serão capazes de assombrar meus sonhos por muito tempo, inclusive as imagens de cabeças decepadas, enfiadas em estacas e dispostas diante de uma construção que me levaram de volta ao Congo Belga e a brutalidade e loucura de Kurtz em "O Coração das Trevas" de Joseph Conrad. E teve também uma cena envolvendo um bebê que é absolutamente perversa e cruel. Essa cena fez meu o estômago embrulhar, me causando ânsia de vômito.  A Estrada é tido por diversos críticos como o principal livro do gênero pós-apocalíptico e essa e outras histórias de Cormac McCarthy serviram de inspiração para muitas obras, incluindo filmes, games, livros, histórias em quadrinhos e graphic novels.  A escrita do autor possui uma certa agudez. McCarthy não faz uso do travessão em seus diálogos e usa a pontuação com muita austereza. Mas seu estilo de escrita com essa prosa escassa, combina perfeitamente com a forma direta como ele conta suas histórias e até ajuda a compor a atmosfera cinza, opaca e desesperadora da odisseia pós-apocalíptica que é "A Estrada".  Li esse livro em uma LC com o Filipe e foi uma leitura que gerou ótimas discussões. Entretanto, discordo de alguns pontos levantados por ele, principalmente sobre ideias que ele viu em um vídeo e compartilhou comigo e sobre o final do livro. Para mim o final foi o que deveria ser, nada mais, nada menos. Fiquei muito grata, Filipe, por ter me feito companhia nessa LC. O próximo livro do autor que pretendo conferir é "Meridiano de Sangue", que parece ser muito referenciado, assim como "Na Estrada". Recomendo muitíssimo esse livro para todos que gostam de histórias angustiantes e comoventes.

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