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    Ardil-22 -

    Joseph Heller

    Record
    2025
    588 páginas
    19h 36m
    ISBN-13: 9786555874419
    Português Brasileiro
    4.1
    568 avaliações
    Leram780Lendo91Querem2709Relendo1Abandonos84Resenhas50
    Favoritos2Desejados2709Avaliaram568

    Um marco da literatura dos Estados Unidos e um dos mais engraçados – e celebrados – livros do século XX, Ardil-22 é uma sátira da guerra com uma dose perturbadora de realidade. Yossarian não quer voar em mais uma missão sequer. Já foram mais de cinquenta, e o número não para de aumentar. Ele pode, é claro, pedir ao médico do 256º Esquadrão de Combate uma liberação. E o médico pode, é claro, liberá-lo. Porém – sempre tem um porém –, só alguém insano pode ser liberado de completar missões. Afinal, quem se coloca em risco de morte em uma guerra só pode ser considerado louco. Contudo, qualquer um que pedisse liberação estaria em pleno domínio de suas faculdades mentais. Ou seja, estaria apto a completar outras missões. Esse é o ardil-22. Ambientada na ilha de Pianosa, na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, esta é a história do incomparável e fingido capitão Yossarian, um “herói” de guerra que está convencido de que querem matá-lo. Quem? Todos que estão do outro lado da guerra, ora. Mas quem dera seu problema fosse apenas o inimigo. Enquanto tenta sobreviver a novas missões, seu próprio Exército criou um inferno burocrático com o ardil-22, do qual é impossível escapar, algo que Yossarian está mais do que disposto a fazer. Com vida, de preferência. Um clássico da literatura contemporânea, Ardil-22 entrelaça comédia e tragédia, com grandes doses de um humor que nasce do absurdo que é a máquina de guerra. Publicado em 1961, o livro não se tornou um best-seller de imediato, mas, ao longo do tempo, transformou-se em um verdadeiro fenômeno cultural até alcançar a lista de mais vendidos, ter seu título dicionarizado – “uma situação problemática cuja única solução é negada pela circunstância inerente ao problema ou por uma regra”, segundo o Merriam-Webster – e ganhar uma adaptação cinematográfica, além de uma série de TV.

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    Carla Silva28/01/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Inteligência numa prosa irada

    Um livro que não é perfeito pode ser uma obra-prima? Acho que não. Mas seus grandes momentos, suas qualidades - que são muitas - o fazem chegar perto. Vamos lá: "Ardil-22" tem uma prosa irada (a definição que me ocorreu lá pela página 150), onde humor negro e non sense se mesclam; o ritmo consegue ser nervoso (irado, torno a dizer) a maior parte do tempo, estilo emaranhado com pontos-de-vista se alternando e assim amarrando as histórias pessoais de vários personagens: Yossarian, o Capelão, o Coronel Cathcart, o Major Major, Nately, Milo e outros. Há uma inteligência por trás de tudo, percebe-se - e nos maravilha. Pelo menos a mim maravilhou ir notando o virtuosismo de Heller, que só às vezes falha no seu instinto demolidor (como, por exemplo, ao fazer graça com personagens muito sofridos e que nos são simpáticos; não funciona: quando uma figura se torna quase um amigo do leitor não dá pra achar engraçado as cenas em que é torturado psicologicamente por outros personagens). Na maioria dos casos, porém, ele acerta: rimos, e nos indignamos; rimos, e desprezamos militarismo, belicismo, americanismo burro; rimos - e ficamos cativados por figuras como Yossarian, que se faz porta-voz do leitor: muito do que ele passa é nossa dor, muito do que faz quereríamos fazer, muitas de suas tentações também são as nossas. Sua coragem assustada também é a nossa. Por que dizemos que um livro não tem razão para ter sido escrito? Quando não nos emociona; quando não nos faz rir; quando não apresenta personagens tão vívidos que possamos crer neles; quando não nos leva à reflexão; quando não nos delicia com uma linguagem bela, ou um estilo elaborado. "Ardil-22" responde com um fragoroso "SIM" a quase todos os quesitos - exceção à linguagem, que não chamaria de bela. Mas ele emociona, faz rir, pensar, ser amiga de seus personagens (alguns... outros odiamos com força, com asco), deleitar-nos com o estilo. Um romance e tanto. Um romance que só por pouco não é uma obra-prima. Mas é genial ainda assim. A destacar o final - magnífico, merece um 10.

    42 curtidas

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