Graziela - e Rafael

    Alphonse de Lamartine

    Assunção
    1946
    260 páginas
    8h 40m
    ISBN-10: B0083CXQ7G
    Português Brasileiro

    O que deu a Alphonse de Lamartine (1790-1869) um sentido de imortalidade, não foi a política. Foi, isso sim, sua atuação literária. Suas obras, as de poesia e de prosa, é que o colocaram como proeminente figura das letras e da cultura francesas de sua época. Era poeta romântico - e foi o iniciador do romantismo na França - espiritualista e religioso. Como prosador, não há quem lhe negue a pureza do estilo, pureza que aparece em seu esplendor na 'História dos Girondinos'. As duas novelas que estamos apresentando aos leitores brasileiros, em escorreita tradução de Gustavo Nonnenberg, constituem também momentos altos da prosa de Lamartine e, além de sua importância literária, marcos que são de um período da ficção francesa, valem muito como contribuição ao conhecimento e estudo do próprio autor, pois são novelas de inconfundível sabor autobiográfico, ambas episódios de suas 'Confissões' [1849]. Por elas, ainda, tem-se uma visão da psicologia afetiva daquela época e um panorama dos sentimentos da sociedade de então. E porque ternas e humanas histórias, 'Graziela' [1849] e 'Rafael' [1849] resistem aos anos e vêm alcançar-nos, nos dias agitados de hoje. As horas turbulentas que vivemos sugerem a leitura de obras cheias de ternura e pureza como estas que o gênio de Lamartine produziu.

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    Pablo Pax05/07/2025Resenhou um livro
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    Graziela e Rafael

    "Grazielle" e "Raphaël", no original, são duas novelas independentes, mas interligadas (o narrador é o mesmo) e fazem parte da obra "Confidências" (1849) de Alphonse de Lamartine. A primeira fez tanto sucesso que, até hoje, é publicada separadamente como um livro à parte. Toda a literatura brasileira do século XIX - de "Lucíola" de José de Alencar a "Iaiá Garcia" de Machado de Assis - beberam desta fonte, até mesmo nos títulos, no qual o nome de uma mulher, a protagonista, era sinônimo de boas vendas. (Quanto a isso, nem o realismo nem o naturalismo foram tão longe de romper: muita gente que comprava obras naturalistas ou realistas, como Madame Bovary, achava tratarem-se de livros românticos!). Este é um livro bem lírico, com uma escrita limpa e uso de adjetivos raros, mas o autor sabe usar tão bem os adjetivos que a obra não fica pesada; parecem diamantes usados sem excesso por alguém que sabe quando e como usá-los. O enredo das duas novelas, como é sabido universalmente, é sempre o mesmo: alguém que se apaixona e se dá mal no final, mas que, parafraseando o poeta, sempre vale a pena quando a alma não é pequena. Os leitores daquela época, principalmente, leitoras, liam tais livros como as leitoras de hoje leem livros eróticos: para dar vazão a desejos de liberdade em meio à realidade dura e medíocre em que vivemos. A única diferença é que, a partir do século XX, os autores de livros eróticos populares são mulheres escrevendo para mulheres, enquanto o romantismo era predominantemente escrito por homens. Isso, aliás, não era ruim e não podemos perder a mentalidade da época: num tempo em que a autoridade do pai e do marido era máxima, saber que havia homens sensíveis, como esses escritores românticos, era um alento e uma esperança para essas leitoras. Mas sempre penso que esses autores deviam ser lidos ainda hoje por pessoas que querem escrever melhor, sejam elas escritores/as profissionais, sejam pessoas comuns que usam muito a escrita para outras atividades. Deviam ser lidos porque é impressionante como esses escritores do romantismo sabem usar as palavras - um verbo, um advérbio, um adjetivo etc. - de maneira certa e adequada. Mesmo os excessos parecem soar como bom senso... Alphonse de Lamartine (1790-1869) - ao lado de Alfred de Vigny (1797-1863) e Victor-Hugo (1802-1885) - nos anos 1830/60, era não só um dos maiores escritores da França, mas também do mundo. Só Byron, talvez, fosse mais conhecido do que estes três, que a crítica chamava de a santíssima trindade do romantismo francês. Dispensa apresentações.

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