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    Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios -

    Marçal Aquino

    Companhia das Letras
    2025
    248 páginas
    8h 16m
    ISBN-13: 9788535938074
    Português Brasileiro
    4.3
    9149 avaliações
    Leram12221Lendo469Querem11548Relendo22Abandonos232Resenhas1142
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    <b>Clássico da ficção nacional, publicado originalmente em 2005, <i>Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios</i> faz vinte anos e ganha nova edição com posfácio da crítica Eliane Robert Moraes e um texto especial do autor.</b> Numa cidade do Pará à beira de uma corrida do ouro, o fotógrafo Cauby se envolve em uma história de amor clandestino com a sedutora Lavínia. Tendo por pano de fundo os conflitos entre garimpeiros e uma mineradora, o desfecho da história se anuncia desde as primeiras linhas: dado a premonições sombrias sobre o próprio destino, o fotógrafo trata de cumpri-lo à maneira dos personagens trágicos. Nas mãos de Marçal Aquino, no entanto, esse caminho nunca é percorrido sem surpresas. Se a trama tem elementos da tragédia, com seus heróis movidos por forças que não conseguem controlar, a maneira como é narrada afasta qualquer previsibilidade. O livro é uma vertiginosa e acidentada história de amor, nascida num ambiente hostil a qualquer manifestação de delicadeza. Cercada por episódios de loucura e brutalidade, a sedução emerge como o mais arriscado dos jogos. Entregar-se a seus caprichos e normas, tão rígidos quantos os que regem a vida do submundo, pode ser a prova mais difícil da vida de um homem. Aquela que, nas palavras do próprio Cauby, acaba definindo a sua sorte: "Quero saber quantos tiveram a coragem de ir até lá. De encontro ao fim. Eu tive".

    Edições (3)

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    Resenhas (1142)Ver mais
    Vanessa Gagliardi picture
    Vanessa Gagliardi14/05/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Eu chamo de amor

    Os professores de ensino fundamental e médio deveriam ser processados por causar tanta repulsa à literatura brasileira nos alunos. Eu fui uma das vítimas, e tento até hoje não me deixar influenciar por isso. Ainda bem. Caso contrário, teria perdido essa preciosidade. Meu primeiro livro do Marçal Aquino e estou até agora tentando encontrar as palavras para descrevê-lo. Pra começar o cara deveria ganhar um prêmio já pelo belíssimo título. Aliás, um dos melhores que vi nos últimos tempos. O livro é real, factível e ao mesmo tempo surreal, filosófico, louco. Não há heróis ou bandidos. Deturpam-se as emoções e os conceitos morais a todo momento. Desgostamos do pastor e ignoramos o pedófilo. Lavínia, a protagonista, é um furacão de altos e baixos e Cauby é um apaixonado, "O" apaixonado. Marçal ainda inventa um filósofo renomado, Schianberg, como personagem que arrepia a cada citação. Alguns trechos lindos do livro: "Queremos o que não podemos ter, diz o professor Schianberg, o mais obscuro dos filósofos do amor. É normal, saudável. O que diferencia uma pessoa de outra, ele acrescenta, é o quanto cada um quer o que não pode ter. Nossa ração de poeira das estrelas." "De acordo com o professor Schianberg (op. cit.), não é possível determinar o momento exato em que uma pessoa se apaixona. Se fosse, ele afirma, bastaria um termômetro para comprovar sua teoria de que, nesse instante, a temperatura corporal se eleva vários graus. Uma febre, nossa única sequela divina. Schianberg diz mais: ao se apaixonar, um 'homem de sangue quente' experimenta o desamparo de sentir-se vulnerável. Ele não caçou; foi caçado" "O que acontece é que, quando estou com você, eu me perdôo por todas as lutas que a vida venceu por pontos, e me esqueço completamente que a gente como eu, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, de brigas e de amores para não pagar a conta. Isso eu poderia ter dito a ela. Mas não disse." É daquele tipo de livro que se pega e não quer mais largar. E dá-lhe romance, drama, comédia e sexo. Não daquele vulgar, mas o sensual, íntimo. E cada amante, apaixonado, se identifica em algum pedacinho do livro. "Uma reserva de sonho contra tudo o que não é doce, sutil ou sereno. É o mais próximo da felicidade que podemos experimentar, sustenta Schianberg. Não sei que nome você daria a isso. Bem, não importa muito, chame do que quiser. Eu chamo de amor." Eu também, Marçal, eu também.

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