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    Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios -

    Marçal Aquino

    Companhia das Letras
    2005
    232 páginas
    7h 44m
    ISBN-10: 853590736X
    Português Brasileiro
    4.3
    9148 avaliações
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    Numa pequena cidade do Pará, repleta de garimpeiros, comerciantes inescrupulosos, prostitutas e assassinos de aluguel, o fotógrafo Cauby se envolve com a misteriosa e sedutora Lavínia, mulher de um pastor evangélico que a tirou das ruas e das drogas. No momento em que começa a narrar os fatos de Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, o fotógrafo Cauby está convalescendo de um trauma numa pensão barata, numa cidade do Pará prestes a ser palco de uma nova corrida do ouro. Sua voz é impregnada da experiência de quem aprendeu todas as regras de sobrevivência no submundo - mas não é do ambiente hostil ao seu redor que ele está falando. O motivo de sua descida ao inferno é Lavínia, a misteriosa e sedutora mulher de Ernani, um pastor evangélico. A trajetória do fotógrafo, dado a premonições e a um humor desencantado, vai sendo explicada por meio de pistas: a história de Chang, fotógrafo morto num escândalo de pedofilia; o mistério de Viktor Laurence, jornalista local que prepara uma vingança silenciosa; a vida de Ernani, que tirou Lavínia das ruas e das drogas no passado. Mesmo diante de todos os riscos, Cauby decide cumprir seu destino com o fatalismo dos personagens trágicos. "Nunca acreditei no diabo", diz ele. "Apenas em pessoas seduzidas pelo mal."

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    Vanessa Gagliardi picture
    Vanessa Gagliardi14/05/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Eu chamo de amor

    Os professores de ensino fundamental e médio deveriam ser processados por causar tanta repulsa à literatura brasileira nos alunos. Eu fui uma das vítimas, e tento até hoje não me deixar influenciar por isso. Ainda bem. Caso contrário, teria perdido essa preciosidade. Meu primeiro livro do Marçal Aquino e estou até agora tentando encontrar as palavras para descrevê-lo. Pra começar o cara deveria ganhar um prêmio já pelo belíssimo título. Aliás, um dos melhores que vi nos últimos tempos. O livro é real, factível e ao mesmo tempo surreal, filosófico, louco. Não há heróis ou bandidos. Deturpam-se as emoções e os conceitos morais a todo momento. Desgostamos do pastor e ignoramos o pedófilo. Lavínia, a protagonista, é um furacão de altos e baixos e Cauby é um apaixonado, "O" apaixonado. Marçal ainda inventa um filósofo renomado, Schianberg, como personagem que arrepia a cada citação. Alguns trechos lindos do livro: "Queremos o que não podemos ter, diz o professor Schianberg, o mais obscuro dos filósofos do amor. É normal, saudável. O que diferencia uma pessoa de outra, ele acrescenta, é o quanto cada um quer o que não pode ter. Nossa ração de poeira das estrelas." "De acordo com o professor Schianberg (op. cit.), não é possível determinar o momento exato em que uma pessoa se apaixona. Se fosse, ele afirma, bastaria um termômetro para comprovar sua teoria de que, nesse instante, a temperatura corporal se eleva vários graus. Uma febre, nossa única sequela divina. Schianberg diz mais: ao se apaixonar, um 'homem de sangue quente' experimenta o desamparo de sentir-se vulnerável. Ele não caçou; foi caçado" "O que acontece é que, quando estou com você, eu me perdôo por todas as lutas que a vida venceu por pontos, e me esqueço completamente que a gente como eu, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, de brigas e de amores para não pagar a conta. Isso eu poderia ter dito a ela. Mas não disse." É daquele tipo de livro que se pega e não quer mais largar. E dá-lhe romance, drama, comédia e sexo. Não daquele vulgar, mas o sensual, íntimo. E cada amante, apaixonado, se identifica em algum pedacinho do livro. "Uma reserva de sonho contra tudo o que não é doce, sutil ou sereno. É o mais próximo da felicidade que podemos experimentar, sustenta Schianberg. Não sei que nome você daria a isso. Bem, não importa muito, chame do que quiser. Eu chamo de amor." Eu também, Marçal, eu também.

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    Marçal Aquino

    Marçal Aquino nasceu em 1958 na cidade de Amparo (SP). Jornalista, trabalhou como revisor, repórter e redator nos jornais “O Estado de S.Paulo” e “Jornal da Tarde”. Atualmente, trabalha como jornalista free-lancer. Escreve ficção adulta e juvenil, faz roteiros para o cinema, tendo atuado como consultor no IV Laboratório de Roteiros Sundance/RioFilme, a convite do Sundance Institute, dos E.U.A., em 2002.

    21 Livros
    255 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Marçal Aquino