A Obra-prima Ignorada -

    Honoré de Balzac

    Antofágica
    2025
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-10: B0FNNHR3NJ
    Português Brasileiro

    <b>A célebre história sobre criação artística que inspirou Pablo Picasso a pintar “Guernica”. Na edição da Antofágica, A obra-prima ignorada ganha novos contornos com tradução de Leda Cartum e artes de Nina Horikawa.</b> Em 1612, o jovem pintor Nicolas Poussin caminha pelas ruas de Paris decidido a conhecer o ateliê de Porbus, um de seus ídolos como artista. Na ocasião, encontra Frenhofer, um mestre da pintura obstinado pela criação de sua obra-prima que, em busca da perfeição, trabalha por dez anos de modo solitário e incansável. Enquanto Poussin procura um modo de convencer Frenhofer a lhe revelar a sua obra-prima, o mestre Frenhofer se depara com o impasse de lançar sua criação, até então secreta, aos olhos do público. A obra-prima ignorada é uma narrativa que, tal qual a pintura, vai revelando camadas e nuances de sentido a cada olhar. Escrita em 1831 e ambientada na Paris do século XVII, esta novela que faz parte d’A comédia humana de Balzac pincela diversas referências da história da arte, antecipa debates que marcariam a arte moderna e conduz o leitor a perguntas sobre o processo criativo, a tensão entre a visão do artista e a recepção de sua obra, o lugar das mulheres na arte e o que é, enfim, uma obra-prima. A edição da Antofágica traz artes inéditas de Nina Horikawa e tradução de Leda Cartum, ambas produzidas exclusivamente para o livro. A apresentação é assinada por Tatiane de Assis, repórter e crítica de arte da revista piauí. Nos posfácios, Leda Cartum conta um pouco sobre o intenso processo de criação literária de Balzac e a influência desta novela na pintura de Pablo Picasso. A escritora Julia Barandier faz uma análise das mulheres que dão nome às duas partes da novela – Gillette e Catherine Lescault – a partir do mito de Pigmalião. E Nina Horikawa compartilha com o leitor um ensaio em forma de diário com as ideias e os movimentos que guiaram a produção das artes para este clássico que trata do fazer artístico.

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    Leticia Hegele06/11/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Vida entre traços

    Antes de ter esse livro em mãos, eu pensava que a frase “é tão lindo que dá vontade de chorar” era apenas uma forma poética de elogiar. Porém, assim que essa edição da Antofágica chegou e comecei a folhear, por pouco não chorei de tão belo! As páginas iniciais lembram muito o começo de um filme, em que há uma alternância entre os quadros das cenas e os nomes da produção. E as folhas coloridas… que lindas! As artes, então, são fenomenais. A editora acertou em cheio na produção desta obra. Agora, falemos do livro: É um livro ok. É ruim? Não. É inesquecível? Também não. É um livro ok — simples, curto, que se lê em poucas horas. Se você tem um apreço imenso pela arte, a ponto de se situar entre diversos artistas e suas obras, esse livro é para você. Os personagens são inspirados em artistas que já caminharam pela mesma terra que nós. A obra-prima ignorada pode ser lida tanto como uma porta de entrada para o universo de Balzac quanto como um ponto de encerramento, pois é nela que compreendemos melhor sua forma de fazer arte: um processo rigoroso consigo mesmo, que nunca aceita a perfeição do que produz, encontrando defeitos onde não há, tal como o próprio personagem principal. Quero muito ler outras obras dele, pois descobri que seus livros se interligam de diversas formas: em um, determinado personagem pode ser protagonista, em outro, apenas um coadjuvante. Dizem que Balzac construiu em sua literatura uma sociedade com mais de 2.500 habitantes! Ele conviveu mais com seus personagens do que com as pessoas da vida real. O livro também fala sobre a forma de enxergar o mundo. Enquanto Frenhofer via vida em seu quadro, Poussin e Porbus viam apenas traços. Sua arte buscava capturar a vida, mas o que expressava era poesia. Um adendo: adorei a consequência que essa obra trouxe. Guernica, de Picasso, foi pintada no ateliê em que se passa a narrativa, pois o autor foi mais um dos inúmeros leitores da obra. Frenhofer e Picasso conversam, ambos não retratam a realidade com o estilo do classicismo, pois o estilo não é capaz de capturar a vida em movimento. Frenhofer o capta através de Catharine, sua pintura que é uma mulher viva. Já Picasso, através do cubismo, captando inúmeras faces do momento. É um belo livro, inegavelmente, mas não é daqueles que você pensa e repensa por meses. É uma obra que te faz olhar para a arte sob outra perspectiva, a do artista.

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