A obra-prima ignorada (Coleção 64 páginas #1041) - Seguido de Um episódio durante o Terror

    Honoré de Balzac

    L&PM Pocket
    2013
    64 páginas
    2h 8m
    ISBN-17: 978-85-254-2630-7
    Português Brasileiro

    Duas histórias com a marca do gênio que inventou o romance moderno Nicolas Poussin é um jovem pintor interiorano em Paris. Em uma visita ao atelier do seu mestre, encontra uma figura impres­sio­nan­­te, um velho pintor com um extraordinário discurso sobre a “obra perfeita”. Mentor e aluno “bebem” então os ensinamentos do velho artista. “A obra-prima ignorada” é um texto que serve como pretexto para Balzac discutir as questões da arte e mostrar como a paixão pelo belo ideal leva um pintor à autodestruição. Um clássico sobre a busca da perfeição e a loucura. O outro conto se passa sob o regime do Terror (1793), durante a Revolução Francesa, um ano depois de Luís XVI ser guilhotinado. Uma estranha confraria formada por religiosos, monarquistas e tipos estranhos se reúne para cultuar a memória do rei. Um relato extraordinário, com um final surpreendente.­ Estas duas histórias são uma verdadeira degustação para a Comédia humana, com a poderosa marca do gênio que inventou o romance moderno.

    Edições (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (55)Ver mais
    Leticia Hegele picture
    Leticia Hegele06/11/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Vida entre traços

    Antes de ter esse livro em mãos, eu pensava que a frase “é tão lindo que dá vontade de chorar” era apenas uma forma poética de elogiar. Porém, assim que essa edição da Antofágica chegou e comecei a folhear, por pouco não chorei de tão belo! As páginas iniciais lembram muito o começo de um filme, em que há uma alternância entre os quadros das cenas e os nomes da produção. E as folhas coloridas… que lindas! As artes, então, são fenomenais. A editora acertou em cheio na produção desta obra. Agora, falemos do livro: É um livro ok. É ruim? Não. É inesquecível? Também não. É um livro ok — simples, curto, que se lê em poucas horas. Se você tem um apreço imenso pela arte, a ponto de se situar entre diversos artistas e suas obras, esse livro é para você. Os personagens são inspirados em artistas que já caminharam pela mesma terra que nós. A obra-prima ignorada pode ser lida tanto como uma porta de entrada para o universo de Balzac quanto como um ponto de encerramento, pois é nela que compreendemos melhor sua forma de fazer arte: um processo rigoroso consigo mesmo, que nunca aceita a perfeição do que produz, encontrando defeitos onde não há, tal como o próprio personagem principal. Quero muito ler outras obras dele, pois descobri que seus livros se interligam de diversas formas: em um, determinado personagem pode ser protagonista, em outro, apenas um coadjuvante. Dizem que Balzac construiu em sua literatura uma sociedade com mais de 2.500 habitantes! Ele conviveu mais com seus personagens do que com as pessoas da vida real. O livro também fala sobre a forma de enxergar o mundo. Enquanto Frenhofer via vida em seu quadro, Poussin e Porbus viam apenas traços. Sua arte buscava capturar a vida, mas o que expressava era poesia. Um adendo: adorei a consequência que essa obra trouxe. Guernica, de Picasso, foi pintada no ateliê em que se passa a narrativa, pois o autor foi mais um dos inúmeros leitores da obra. Frenhofer e Picasso conversam, ambos não retratam a realidade com o estilo do classicismo, pois o estilo não é capaz de capturar a vida em movimento. Frenhofer o capta através de Catharine, sua pintura que é uma mulher viva. Já Picasso, através do cubismo, captando inúmeras faces do momento. É um belo livro, inegavelmente, mas não é daqueles que você pensa e repensa por meses. É uma obra que te faz olhar para a arte sob outra perspectiva, a do artista.

    82 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 332
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas45%
    • 3 estrelas28%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas0%