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    No exílio -

    Elisa Lispector

    José Olympio
    2005
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-10: 8503008629
    Português Brasileiro
    4.1
    48 avaliações
    Leram65Lendo9Querem139Relendo0Abandonos2Resenhas7
    Favoritos6Desejados139Avaliaram48

    No exílio, publicado pela primeira vez em 1948, conta a trajetória de Lizza e sua família. Na fuga, sob a condição judaica posta a serviço da inconfiável tutela do risco, ela junta-se a seu povo e passa por uma Europa ameaçada por fantasmas reais: a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Chegando bem mais tarde ao Brasil, a Maceió, e instalando-se em Recife (como se deu com a família de Elisa, na realidade), o humanismo necessário deixa seu recado numa ficção de primeira linha, que, embora trabalhe com fatos passados, não é datada. “Aquele que destrói uma vida é como se tivesse destruído o mundo. E aquele que salva uma vida é como se tivesse salvado o mundo.” Nesse sentido, Elisa Lispector não se distingue de Clarice Lispector. O indivíduo – seja qual for sua trajetória, íntima ou coroada de ação – é, afinal, a garantia de que o mundo continua a ter sentido.

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    INGRID MAYARA ALLEBRANDT picture
    INGRID MAYARA ALLEBRANDT12/08/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Literatura judaica-brasileira

    Publicado pela primeira vez em 1948, o romance inicia com a protagonista Lizza saindo de um sanatório, no qual esteve por dezoito meses. No decorrer da narrativa, há um flashback dando início a apresentação dos rumos empreendidos pela família composta de mãe, pai e três filhas. Nesse ínterim, o narrador conta como foi a saída da família Lispector de onde moravam, tentando fugir da violência dos Pogroms (movimento de pessoas que atacavam os judeus). Após percorrer diversos vilarejos da Europa, Lizza e sua família conseguem chegar ao Brasil, porém, a protagonista continua lembrando-se do trauma vivido em seu local de origem. Chegando ao Brasil, a família escolheu Maceió para fixar-se. Assim, Lizza vai estudar português e frequentava outros cursos para se ambientar à realidade brasileira. Embora a família tivesse mantido alguns costumes judaicos, Lizza não se sente pertencente nem à cultura judaica, nem como uma menina brasileira. Na escola, sofria bullying por ser estrangeira. A mãe manifesta uma doença progressiva desde que morava na Europa, desse modo, Lizza, que é a irmã mais velha, fica responsável por cuidar da casa e da família. Em sua vida adulta, vivendo no Brasil, a protagonista se vê atormentada por uma depressão. O trauma vivido por Lizza permanece em seus pensamentos, paralisando-a, impedindo que siga sua vida. Consequentemente, ela passa a ter crises de febre à noite, assombrada por lembranças perturbadoras. E assim ela decide ser internada no sanatório. Trechos favoritos: “Em meio a tudo isso, a vida dos judeus é que se torna cada vez mais impossível, fazendo-o pagar pelos erros de todos os homens. E o mundo inteiro participa do crime da opressão e da selvageria, com o crime da abstenção e do silêncio.” p. 170. “Não temos reino, nem poder. Só nos resta clamar para a consciência do mundo, gritar bem alto a nossa dor, para que não nos esqueçam.” p. 194.

    58 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 48
    • 5 estrelas40%
    • 4 estrelas23%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas0%
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    Elisa Lispector

    Elisa Lispector, nascida Leia Lispector, (24 de julho de 1911 — 6 de janeiro de 1989) foi uma escritora brasileira. Autora de linha introspectiva, buscava exprimir, através de seus textos, as agruras e antinomias do ser. A exemplo da irmã e também escritora Clarice Lispector, algumas de suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento interior e ruptura com o enredo factual, embora de forma menos acentuada. Estreou na literatura em 1945, com a publicação do romance Além da Fronteira, marco inicial de uma extensa obra pontuada por reminiscências de fugas e perseguições enfrentadas no passado e um sentimento perene de exílio. Com o livro O Muro de Pedras, um de seus trabalhos mais reconhecidos e apreciados pela crítica, auferiu os prêmios José Lins do Rego (1963) e Coelho Neto — Academia Brasileira de Letras (1964). Sua estréia como contista deu-se, entretanto, apenas em 1970, com a publicação de Sangue no Sol, ao qual sucederam Inventário (1977) e O Tigre de Bengala (1985). A última coletânea de contos foi agraciada com o prêmio Pen Clube, em 1986. Faleceu em 6 de janeiro de 1989, no Rio de Janeiro, onde fixara residência.

    9 Livros
    33 Seguidores

    Elisa Lispector