Publicado pela primeira vez em 1948, o romance inicia com a protagonista Lizza saindo de um sanatório, no qual esteve por dezoito meses. No decorrer da narrativa, há um flashback dando início a apresentação dos rumos empreendidos pela família composta de mãe, pai e três filhas. Nesse ínterim, o narrador conta como foi a saída da família Lispector de onde moravam, tentando fugir da violência dos Pogroms (movimento de pessoas que atacavam os judeus).
Após percorrer diversos vilarejos da Europa, Lizza e sua família conseguem chegar ao Brasil, porém, a protagonista continua lembrando-se do trauma vivido em seu local de origem. Chegando ao Brasil, a família escolheu Maceió para fixar-se. Assim, Lizza vai estudar português e frequentava outros cursos para se ambientar à realidade brasileira. Embora a família tivesse mantido alguns costumes judaicos, Lizza não se sente pertencente nem à cultura judaica, nem como uma menina brasileira. Na escola, sofria bullying por ser estrangeira.
A mãe manifesta uma doença progressiva desde que morava na Europa, desse modo, Lizza, que é a irmã mais velha, fica responsável por cuidar da casa e da família. Em sua vida adulta, vivendo no Brasil, a protagonista se vê atormentada por uma depressão. O trauma vivido por Lizza permanece em seus pensamentos, paralisando-a, impedindo que siga sua vida. Consequentemente, ela passa a ter crises de febre à noite, assombrada por lembranças perturbadoras. E assim ela decide ser internada no sanatório.
Trechos favoritos:
Em meio a tudo isso, a vida dos judeus é que se torna cada vez mais impossível, fazendo-o pagar pelos erros de todos os homens. E o mundo inteiro participa do crime da opressão e da selvageria, com o crime da abstenção e do silêncio. p. 170.
Não temos reino, nem poder. Só nos resta clamar para a consciência do mundo, gritar bem alto a nossa dor, para que não nos esqueçam. p. 194.