Pela segunda vez seguida sentei-me à sombra desta mangueira e estabeleci uma relação dialógica com a obra de Paulo Freire. Relação esta que agora me sinto na responsabilidade de escrever sobre, pois ler e escrever são como duas faces da mesma moeda. Ao ler um texto, o leitor estabelece uma relação de organização das ideias presentes no pensamento do autor e tenta entender as mensagens que o escritor quis transmitir.
O fato é que me encontrava completamente disperso e sem vontade de escrever resenhas, ou escrever sem compromisso com algum gênero textual, mas ao me deparar com os ensinamentos presentes em Professora, sim; tia, não: cartas a quem ousa ensinar, compreendi que eu somente interpretarei e tornarei parte de meu repertório as mensagens presentes no texto se eu escrevesse sobre ele. Entretanto, não é somente na esperança de apreender o conteúdo presente na obra, mas também na esperança de ser lido que ouso me aventurar nesses mares já tão explorados.
A obra levanta diversas teses, mas a principal é a de que a professora deve ter consciência que, ao ser chamada de tia, sua função deixa de ser científica, metodológica, e passa a ser meramente de familiar, desvalorizando a função de educadora. Isso, na visão do filósofo, passa a ideia de que qualquer um pode ensinar, tendo em vista que pessoas sem preparo científico podem ser tias.
Outro ponto mencionado nesta obra de Freire é a ideia de que não devemos ser fatalistas, mecanicistas, dizendo que as coisas são injustas porque sempre foram e sempre serão assim. O autor nega veementemente este tipo de enunciado, afirmando que somos seres históricos e, portanto, inacabados. Assim sendo, devemos ter esperança de transformar a ordem social, jamais deixando que a mentalidade de uma minoria dominante influencie a mente de uma maioria dominada. Uma das ferramentas para evitar isso é a educação progressista.
Por fim, quero deixar claro que antes de criticar Paulo Freire, leia! Não desenvolva uma opinião sobre algo que você não conhece. Ao lê-lo, busque somente compreendê-lo e somente após entender o autor, ouse discordar, ouse concordar, ouse manifestar sua opinião: afinal de contas, ainda vivemos em uma democracia.