Recordações da Casa dos Mortos / Irmãos Karamazov -

    Fiódor Dostoiévski

    Livraria José Olympio Editora
    1962
    1217 páginas
    1d 16h 34m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Neste livro, Dostoiévski mostra a experiência da vida no presídio, discutindo o conceito de trabalho forçado, o sonho pela libertação, a cumplicidade entre os prisioneiros e, por outro lado, a discriminação. Com fortes influências dos dez anos que passou preso nos campos de trabalho forçado na Sibéria, certamente algumas passagens do livro são relatos auto-biográficos. Faz pensar a respeito da redenção do ser humando perante à sua própria consciência.

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    Ana Carolina Gomes picture
    Ana Carolina Gomes13/11/2024Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Relatos do cárcere

    Essa obra é inspirada em uma fase traumática da vida do autor: condenado à morte por atividades subversivas contra o regime czarista, Dostoiévski foi indultado no último momento, mas sua pena foi comutada para quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria. Dessa experiência extrema, ele trouxe o material humano e emocional que mais tarde serviria de base para alguns dos seus personagens mais complexos e inesquecíveis. Ao longo da leitura, pensei que a literatura foi salva por um capricho do czar porque essa segunda fase do autor, pós Sibéria, é a mais genial. Em Escritos da Casa Morta, Dostoiévski se vale de um personagem fictício, Aleksandr Pietróvitch Goriânchikov, para narrar suas experiências no presídio siberiano. Com essa estratégia, ele conseguiu abordar a vida no sistema carcerário russo e driblar a censura da época, oferecendo uma crítica velada, mas poderosa, ao sistema penal czarista. Sob o olhar de Goriânchikov, o autor descreve a brutalidade e a desesperança que permeiam a prisão, mas também a humanidade que, mesmo em condições extremas, resiste entre os presos. A obra me impactou profundamente. Não foi uma leitura fácil. Senti angústia e agonia e me aproximei mais do autor. Dostoiévski mostra, com um realismo impressionante, a dureza da vida no cárcere, revelando como a violência e a opressão afetam a psique humana. O leitor se vê diante de retratos de prisioneiros que variam do vilão ao trágico, do frio ao passional, cada um com uma história de vida marcada pela dor e pelo desejo de sobrevivência. Esse olhar humanizado sobre os presos desafia qualquer julgamento simplista, e Dostoiévski faz o leitor refletir sobre questões como culpa, redenção e a essência do espírito humano. A experiência de Dostoiévski na prisão foi fundamental para a criação de personagens complexos e ambivalentes, que viriam a se tornar marcas registradas de sua literatura, como Raskólnikov, de Crime e Castigo, e o Príncipe Míchkin, de O Idiota. Em Escritos da Casa Morta, ele já ensaia a profundidade psicológica e o dilema moral que exploraria mais tarde. A obra é uma leitura essencial para entender a genialidade de Dostoiévski e a profundidade moral e psicológica de seus personagens. Depois dessa leitura tenho que reconsiderar toda crítica que fiz ao autor e me retratar publicamente. Se te critiquei, perdão, Dostô. Você nunca errou! Recomendo fortemente a leitura. Na edição da Ed 34 há um material excelente para contextualização da obra e ainda traz a carta de Dostô em resposta ao censor.

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