Esperava um relato direto de como era uma prisão na Ilha da Sacalina, mas é bem mais complexo que isso.
O autor escreveu o livro em formato de livro de memórias, o que achei sensacional! Nele é relatado as dificuldades que o autor passou até chegar a Ilha e mais algumas quando estava por lá, além, é claro, do desenvolvimento do tema principal.
Aqui é apresentado os contextos histórico, geográfico e social da Ilha, com seus diferentes povoados compostos por trabalhadores das prisões, pelos condenados/ex condenados, todos com suas respectivas famílias (até os condenados tem família na ilha) e pelos trabalhadores dos navios que fazem o transporte até o local.
É interessante saber a forma peculiar como as coisas funcionavam em um lugar tão árduo quanto Sacalina. O autor fez um trabalho incrível em relatar e o “mapear” o lugar. O trabalho dele foi tão grandioso a ponto dele ter efetuado sozinho o recenseamento de toda a população de Sacalina, entrevistando pessoalmente mãos de 10 mil pessoas.
A leitura não é fluída devido ao tema, mas gostei muito.
A tradução feita por Rubens Figueiredo é fantástica! As notas e referências também são muito boas.
Recomendo a leitura.