O movimento da narrativa de 62 Modelo para Armar, só faz sentido a partir do momento em que o leitor efetivamente entrar no desenrolar do texto como “meio aberto”, no qual a linguagem é a viga mestra da complexa relação entre o real e a ficção.
Se pensarmos na literatura como arte e no texto literário como especificidade artística, também o perceberemos como um jogo enquanto linguagem em movimento. Portanto, o texto de Cortázar se apóia num tripé: linguagem, jogo e sentido.
62 Modelo para Armar, possui uma narrativa fragmentada e ao mesmo tempo tem em cada uma delas, pontos que a remete a uma narrativa anterior, fazendo com que o leitor oscile entre o simbólico, as relações de ruptura e entrelaçamento, construção e desconstrução, tendo a linguagem como jogo.
As ações dos personagens se alterna entre a realidade e a ficção e vice-versa. Teríamos então, uma dicotomia representada pela realidade enquanto trabalho artístico e a realidade imaginada pelos personagens.
A própria “desordem” da narrativa exige que o leitor saia da posição de leitor que meramente contempla o texto, e integre o texto no seu movimento enquanto jogo.
E é essa mesma desordem com seus modos de leituras distintos, que abre o caminho para armar, compreender e participar do enredo, ou seja, jogar o jogo do texto.
Mais uma obra genial desse genial escritor. Recomendadíssimo!