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    Livro das Mil e Uma Noites - Ramo Sírio

    Mamede Mustafa Jarouche

    Globo Livros
    2005
    356 páginas
    11h 52m
    ISBN-10: 8525039691
    Português Brasileiro
    4.1
    312 avaliações
    Leram495Lendo42Querem931Relendo1Abandonos11Resenhas15
    Favoritos44Desejados931Avaliaram312

    O segundo volume do "Livro das Mil e uma Noites" completa a tradução do que, segundo convenção da crítica filológica, é chamado de ramo sírio. Os quatro volumes seguintes cobrirão a tradução das demais noites a partir do chamado ramo egípcio. O ramo sírio é constituído pelos manuscritos que foram copiados, dos séculos XIV ao XVIII, na região árabe-asiática do Levante - que hoje corresponde ao Líbano, Síria e Palestina. É importante ressaltar que todos os quatro manuscritos do ramo sírio se encerram no mesmo ponto, ao final da 282a noite. As demais noites, até a noite 1001, são completadas a partir dos manuscritos do ramo egípcio, subdividido, conforme propõe Mushin Mahdi, em antigo e tardio. O mais antigo dos manuscritos do ramo egípcio antigo é do século XVII. Por isso, como esclarece o tradutor Mamede Mustafa Jarouche em sua apresentação ao segundo volume, a divisão proposta por Mahdi é problemática. Embora tenha existido uma forma antiga do ramo egípcio (contemporânea do ramo sírio - da segunda metade do século XIII), os cinco manuscritos que sobreviveram são recentes e não possibilitam uma avaliação precisa de quais seriam suas divergências e/ou convergências em relação ao ramo sírio. O segundo volume reúne apenas cinco histórias. Diferentemente do primeiro, as histórias deste volume são mais extensas e, com exceção de uma, apresentam diversas sub-histórias. Em contrapartida, multiplicam consideravelmente a sua variedade de acontecimentos. Desse modo, e principalmente no caso das três últimas histórias, as constantes mudanças de espaço geográfico e de condição dos personagens parecem corresponder ao que, na maioria das histórias do primeiro volume, era constituído como diversidade produzida por meio de sub- histórias. Os manuscritos do ramo sírio se interrompem na 282a noite, exatamente no início da história O rei Qamaruzzamãn e seus filhos Amjad e Ascad que, contudo, aparece integralmente em cópias do ramo egípcio. Dentre as cinco existentes, o tradutor optou por traduzi-la do manuscrito identificado como Bodl. Or. 551 , cujo corpus, segundo Mushin Mahdi, é mais antigo que o do manuscrito Arabe 3612 , onde ela está incompleta, e que o da edição de Bulaq. Além disso, comparada com os outros manuscritos, a versão adotada demonstra maior coerência interna e uma narrativa mais detalhada. Entretanto, para que o leitor possa conhecer as diferenças de enredo constantes das duas outras versões, o tradutor incluiu longas notas e, no Anexo I, traduziu algumas das passagens obscenas que ocorrem nas referidas versões, mas não no manuscrito Bodl. Or. 551 . A apresentação ao volume inclui uma cerrada exposição dos manuscritos do ramo egípcio, desde a história dos mesmos (seus primeiros proprietários e sua atual localização: Biblioteca Nacional de Paris, Real Academia de la Historia, em Madri, Bodleian Library e Christina Church Library, de Oxford), até aspectos internos e suas inter-relações. E tal como no primeiro volume, o tradutor incluiu quase 180 notas ao texto, fundamentais para o esclarecimento de palavras, passagens truncadas, aspectos históricos, variantes e complementos que incorporou de outros manuscritos e edições para elucidar pontos mais obscuros do texto. Finalizam a edição três anexos que trazem, os dois primeiros, as variantes da história O rei Qamaruzzamãn e seus filhos Amjad e Ascad , e, o terceiro, uma variante de uma narrativa de incesto traduzida no anexo 5 do primeiro volume.

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    Régis Maz picture
    Régis Maz02/03/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Mais encontros e desencontros nesse segundo volume...

    O segundo volume de As 1001 Noites possui contos maiores e com histórias mais bem contadas e personagens melhores desenvolvidos. A primeiras história é para mim o Romeu e Julieta da Shopee. Com personagens caricatos que se apaixonam a primeira vista e que desmaiam a cada encontro. Com personagens coadjuvantes muito surreais que se sujeitam a perder tudo que possuem para ajudar os jovens amantes. Dei muita risada a cada desmaio dos amantes e achei o fim bem parecido com o romance Shakespeareano, mas sem todo o romantismo da obra de Shakespeare. A história do "Aquaman do Oriente" deu voltas e voltas sem propósito definido. Foi uma boa história apesar das muitas transformações em animais e em humanos de novo. Dei algumas risadas com os absurdos. Aqui os personagens se apaixonam de ouvir falar da pessoa. Nem é preciso ver, a descrição da garota já faz o rei ficar maluco de amor. Rsrsrs O conto de Nucm e Nicma contado ao jovem príncipe filho de Qamaruzzamån é outra história de desencontros. Mas a idade dos jovens que cresceram juntos como dono e escrava, e que se casaram me deixou um pouco desconfortável pela pouca idade que tinham. Já história de Qamaruzzamån e Madame Budūr é bem mais complexa e empolgante de ler. Creio que essa seja a principal história do livro, com várias reviravoltas e muitos encontros e desencontros. O começo com o envolvimento dos gênios no primeiro encontro dos dois é bem parecido com um conto do primeiro volume. Algumas coisas me deixaram desgostosa no destino dos amantes. A forma que Qamaruzzamån acredita nas esposas em detrimento dos filhos foi bem nada haver. A jornada dos dois príncipes, Ajamd e Ascad, foi completamente caricata e muito parecida com muitas outras que vimos no primeiro volume e nesse segundo também. A Madame Budūr me decepcionou muito. No final, as consequências para seus atos foram muito brandas para satisfazer a frustração do leitor. Imaginava um final mais dramático. Mesmo com as limitações e repetições dos acontecimentos no livro, eu fiquei contente com esse segundo volume. Tive mais afinidade com os personagens e seus dramas pelas histórias terem sido mais longas e com um melhor desenvolvimento. O livro tem drama, absurdos e histórias carregadas de momentos inusitados. Recomendo a leitura.

    75 curtidas

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    Avaliações

    4.1 / 312
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas24%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
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    Mamede Mustafa Jarouche

    Mamede Mustafa Jarouche é professor de língua e literatura árabe na USP. Entre outros trabalhos, preparou e prefaciou uma edição das 'Poesias da Pacotilha'e das 'Memórias de Um Sargento de Milícias'. Atualmente, dedica-se à tradução do 'Livro das 1001 Noites' a partir de seus originais árabes.

    7 Livros
    30 Seguidores

    Mamede Mustafa Jarouche