Este e "Crime de Luxo" formam meu par favorito dos (poucos, ainda, infelizmente!) romances policiais de Ngaio Marsh que li. Esta neozelandesa sabia casar gêneros dentro da ficção policial como poucas parecem saber. Aqui, temos uma ótima trama de investigação e exercício de inteligência (atenção à cena em que o detetive Roderick Alleyn, num esforço digno de Sherlock Holmes, demonstra como um crime que parece ser de um jeito é na realidade de outro) unida a uma história de amor - meio enviesada, verdade, mas charmosa justo nisso: é como se Marsh, cônscia de que não está escrevendo um romance de amor, deixasse mais insinuações e rápidas frases do que melosidade propriamente dita. Fez bem. Deixa-nos curiosos quanto ao seu casal e achando-os simpáticos ao invés de fastidiosos; o que, claro, leva-nos ao livro seguinte da série Roderick Alleyn - "Crime de Luxo".
Elegância estilística, humor discreto, pitadas de romance, dois crimes (um particularmente escabroso; lembrou-me certas imagens de crimes meio góticos que aparecem em Sherlock Holmes, outra vez tenho de citar), personagens cativantes (a mãe de Alleyn é ótima: divertida, inteligente, cheia de verve) - Ngaio Marsh mereceria ser reeditada, e com todos os títulos da autora que ainda permanecem inéditos no Brasil. Será que nenhuma editora vai ter essa honra?