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    Sartoris -

    William Faulkner

    Cosac Naify
    2010
    416 páginas
    13h 52m
    ISBN-13: 9788575039144
    Português Brasileiro
    4.3
    92 avaliações
    Leram139Lendo9Querem294Relendo0Abandonos5Resenhas12
    Favoritos17Desejados294Avaliaram92

    Publicado em 1929, pouco antes de O som e a fúria, o romance Sartoris é o primeiro situado no condado fictício de Yoknapatawpha, no Mississippi. Nele, William Faulkner (1897-1962), prêmio Nobel de Literatura, começa a estabelecer o estilo que marcaria todos de seus livros posteriores e pelo qual seria consagrado. O volume narra a trajetória de uma família decadente, de passado escravocrata, que vive à sombra do Coronel John Sartoris, morto na Guerra de Secessão. Tia Jenny, a irmã mais nova do coronel, verdadeira guardiã do passado e também da narrativa, é a mulher que alinhava, com sua memória reiterada e reinventada, as tragédias das gerações (passadas e futuras) dos homens da família – Bayard Velho, filho do coronel, e os dois netos gêmeos, também chamados John e Bayard. Tia Jenny sempre amaldiçoa a família, mas conta sua história tantas vezes a ponto de transformá-la em mito. No livro, os grandes acontecimentos nas vidas dos protagonistas solitários, problemáticos e heróicos são apenas sugeridos, e o que se descortina são suas consequências.

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    Resenhas (12)Ver mais
    Flávia picture
    Flávia08/02/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Nada pode parar o tempo: porque se o amanhã tornou-se agora, o ontem virou futuro.

    “Sartoris” começou a tomar forma entre o outono e o inverno de 1926, e foi o primeiro romance do escritor (gênio e mestre) americano William Faulkner sobre o Condado de Yoknapatawpha. A ideia de escrever um romance sobre sua terra natal, o Mississippi, veio de um conselho oferecido pelo amigo, escritor e contista Sherwood Anderson que Faulkner seguiu e foi retirando da vida real esses homens e mulheres que tomam forma e vão nos desvendando suas histórias. Concluído primeiramente com o título “Flags in the Dust” em 1927, sua versão como “Sartoris” só foi publicada em 1929, após uma remoção de cerca de 40.000 palavras que um relutante Faulkner teve que fazer a pedido do seu editor. Em 1973, o manuscrito original de “Flags in the Dust” foi publicado, e “Sartoris” foi retirado de circulação. No coração de “Sartoris” encontramos uma família aristocrática do sul dos Estados Unidos lutando para se adaptar a um novo mundo, onde o Velho Sul se confronta com o Novo Sul. O coronel John Sartoris, o patriarca da família, pode ser visto com a epítome do cavalheirismo sulista e seu heroísmo, enquanto seu descendente, o Novo Bayard, com seu jeito rebelde e irresponsável nos apresenta uma tentativa desesperada de viver as ideias heróicas dos seus antepassados sem grande sucesso. Esse personagem, o Novo Bayard, simboliza essa ilusão mais ampla sentida pela elite do sul após a Guerra de Secessão e a Primeira Guerra Mundial, retornando da guerra não cheio de glórias, mas de um luto que representa o Sul, que não apenas perdeu a guerra, mas todo um modo de vida. As mulheres criadas por Faulkner lançam luz sobre as mudanças sociais do Sul. Narcissa Benbow é a ponte entre o Velho e o Novo Sul, enquanto a matriarca da família, Miss Jenny, é o reflexo da aristocracia antiga do Sul em erosão. Ao contar a história da família Sartoris, Faulkner nos lança nessa tensão entre tradição e modernidade, honra e futilidades, memórias e realidades, e nos mostra seu domínio da linguagem e sua compreensão da condição humana, oferecendo um rico retrato da luta duradoura do Sul para definir sua identidade no mundo moderno. Apesar de não ser um dos romances mais recomendados pelos estudiosos de Faulkner para aqueles que estão iniciando a leitura de suas obras, confesso que fazer toda essa trajetória vivida pela família Sartoris até chegar a um final emocionante (confesso que fiquei tão tocada, que acabar o livro me deixou à beira de uma ressaca literária!), me fez ir tão a fundo na essência da escrita do Faulkner, compreendendo a importância de sua escrita pra retratar toda uma sociedade, que só me fez me apaixonar ainda mais mestre da escrita que irá perdurar por muitas e muitas gerações (assim espero!). Quero aproveitar e agradecer ao meu parceiro de leitura Fábio Nunes por ter sido tão generoso em embarcar nessa aventura comigo. E que prazeroso ouvir o podcast de um homem que sabe como colocar tão bem suas ideias e impressões, mesmo quando elas são tão contrárias as minhas, e me manter tão entretida.

    110 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.3 / 92
    • 5 estrelas53%
    • 4 estrelas24%
    • 3 estrelas18%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas1%
    William Faulkner profile picture

    William Faulkner

    Sem diploma do secundário (ensino médio), o prêmio Nobel de Literatura em 1949, e prêmio Pullitzer em 1955 e 1963 (póstumo), William Falkner viveu em sua pequena cidade no Estado mais pobre dos Estados Unidos, o Mississipi. Só viajava para Hollywood para arranjar trabalho como roteirista. Indo e vindo, entre 1932 e 1955, trabalhou para os estúdios Metro, Fox e Warner. Como escreveu o crítico brasileiro Sérgio Augusto: "Só aderiu ao cinema porque precisava de dinheiro. Tinha 35 anos e acabara de escrever 'Luz em Agosto'. A venda de seus livros mal dava para pagar a conta da luz. Seus primeiros quatro livros não venderam mais de 2 mil exemplares cada. Seu primeiro (e único) best seller, 'The Wild Palms', é de 1939". Por volta de 1958, a Fox tentou trazê-lo de volta. Na época, Faulkner, que já não estava mais tão necessitado de dinheiro, recusou o convite. Após publicar "O Fauno de Mármore" (1924, poemas), Faulkner foi a Nova Orleans para conhecer o círculo literário em torno da revista literária "The Double Dealer", que publicava Hart Crane, Ernest Hemingway, Robert Penn Warren e Edmund Wilson. Além dos contos para a revista, Faulkner fez seu primeiro romance "Paga de Soldado". Tímido, ele preferia a companhia de seus amigos caçadores e dos vizinhos de seu sítio a outros escritores e intelectuais. Seus primeiros livros traziam características da literatura do fim do século 19. "O Povoado", o primeiro romance da "Trilogia Snopes", é um retrato irônico das grandes depressões que antecederam a Guerra Civil norte-americana. Em "Os Invictos", publicado no ano de sua morte, o escritor constrói um conflito de éticas e mentalidades entre o velho Sul e a nova realidade americana após a Guerra Civil. Faulkner entrou numa nova fase, quando encontrou seu estilo nas obras "O Som e a Fúria", "Enquanto agonizo", "Santuário", "Luz de agosto", "Dr. Martino e Outros Contos", "Pilão", "Absalão! Absalão!" e "Palmeiras Selvagens". A violência destes livros está em primeiro plano e, às vezes, os personagens têm uma meia vitória aqui e ali. Em "Enquanto agonizo", Faulkner costura dezenas de monólogos de 15 pessoas para mostrar o perfil psicológico de uma família que conduz o corpo da matriarca ao cemitério. A partir de "O lugarejo", o destino dos personagens de Faulkner não é mais tão trágico. Ao menos surge alguma esperança para a condição humana como uma promessa de liberação. Em "Desça Moisés", sobre a luta do personagem Ike McCaslin contra a devastação da mata, Faulkner denuncia injustiças. Além de viagens necessárias à sua carreira, Faulkner continuou enfurnado no Mississipi até se tornar escritor residente da Universidade de Virgínia. O contato com os estudantes está registrado no livro "Faulkner na Universidade".

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    William Faulkner