Anônima: Uma Mulher em Berlim - Diário dos últimos dias de guerra (20/04/1945 a 22/06/1945)

    Anônima

    Record
    2002
    290 páginas
    9h 40m
    ISBN-13: 9788501079398
    Português Brasileiro

    O comovente e trágico diário de uma jovem berlinense, escrito entre 20 de abril de 1945 e 22 de junho do mesmo ano, durante a invasão e conseqüente ocupação russa da capital alemã. Em um relato preciso e emocionante, a autora descreve a vida miserável que levou e os repetidos estupros que sofreu durante esse período. A morte da autora em 2001 suscitou o interesse dos leitores, e o livro foi relançado em vários países.

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    Marina Ofugi21/11/2011Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Há livros e diários de guerras a perder de vista, tanto que chegam a ser repetitivos em muitos pontos, mas Uma Mulher em Berlim nos traz um panorama um pouco diferenciado. Ele fala sim, das dificuldades como a excassez de comida, os bombardeios e etc, mas o foco do livro é a condição feminina na guerra. Com seus maridos e parentes ausentes para lutar pelo país, essas mulheres ficam sozinhas à mercê dos soldados inimigos. A autora do livro, anônima, é uma berlinense que viu a cidade ser invadida pelos russos. Durante esse período, fez o registro dos acontecimentos em um diário. Por ser uma mulher inteligente e culta, a escritora não só tem um texto bem construído, como também faz diversas ponderações políticas e filosóficas. O relato, cru e até mesmo frio, mostra que em situações como essa, muitas vezes as mulheres precisam deixar a dignidade de lado e se submeter aos homens em nome da sobrevivência. E aqui, eu não me refiro apenas à imprevisível violência dos soldados que pode ameaçar a vida das mulheres, mas também à fome. Ao se relacionar com os soldados, as mulheres conseguiam mantimentos trazidos por eles. E este também é um ponto digno de nota: ao trazer presentes e agrados para as mulheres com quem eles iam pra cama, os russos tentavam amenizar um fato que eles mesmo não admitiam: que eles estavam estuprando as mulheres. Havia uns e outros que realmente queriam a permissão das mulheres, mas a pressão em cima delas era tão grande que dificilmente existia a possibilidade de negar o avanço dos homens. Nesta troca injusta, porém, a autora deste livro viu a oportunidade de sair da guerra sem grandes danos. Ela se envolvia propositalmente com militares de patentes maiores, pois assim os outros soldados não a atacariam. Um pensamento bastante calculista do tipo "melhor ser estuprada por um que por muitos". E assim ela também garantia seus suprimentos. A atitude forte da autora é admirável, mas a desvantagem desses relatos frios e racionais é a dificuldade do leitor em se apegar à escritora. Como ela não deixa transparecer muitos sentimentos, é difícil criar um vínculo ou se compadecer da situação dela. Vez ou outra ela expõe algumas coisas, como em trechos que diz se sentir suja. É enfim, um olhar diferente sobre a guerra. Para quem gosta de relatos reais e tragédias pode ler esse livro sem medo, principalmente pela qualidade da escrita.

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