As histórias de Lygia Fagundes Telles parecem manter o mesmo tema: a formação de jovens mulheres. E assim como na vida real, suas protagonistas são personagens multidimensionais cujas ações podem parecer contraditórias, mas que parmenecem conectadas a suas motivaçãoes. No caso, o ciúme.
Raíza, que ainda apresenta o narcisismo típico da juventude, se insere num triângulo amoroso que disputa a atenção de André com a própria mãe dela, Patrícia. O jogo de sedução que a ela se dá vai do romantismo shakespearano - com todas as suas nuances dramáticas e fatalistas - até algo que só pode ser descrito como um Complexo de Édipo às avessas.
O Aquário do título ora se revela na redoma que protege Raíza das consequências e mesmo ciência de seus atos, ora na posição do leitor que observa tudo do lado de fora e por isso mesmo tem apenas a visão distorcida da narrativa em primeira pessoa de Raíza.
É ótimo. Recomendo.