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    Lisbela e o prisioneiro -

    Osman Lins

    Editora Planeta
    2003
    118 páginas
    3h 56m
    ISBN-10: 8574795607
    Português Brasileiro
    3.7
    1170 avaliações
    Leram2087Lendo106Querem1466Relendo2Abandonos24Resenhas98
    Favoritos62Desejados1466Avaliaram1170

    Lisbela, filha do Tenente Guedes, delegado da Cadeia de Santo Antão, forma par amoroso com o funâmbulo Leléu, um Don Juan nordestino. Esse casal anticonvencional assume riscos em nome de sentimentos intensos. Lisbela foge com Leléu, no dia de seu casamento com Dr. Noêmio, advogado vegetariano, por isso mesmo personagem destoante do meio em que se encontra, prestando-se a alvo de muitas tiradas cômicas.

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    Régis Maz picture
    Régis Maz10/05/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Encantamento do Filme, a Lucidez da Peça

    Eu li Lisbela e o Prisioneiro em um único fôlego. E o pensamento que me ocorreu no final foi: que peça irônica e completamente sedutora! Lins foi capaz de conduzir uma narrativa tão questionadora, envolvente e lúcida que conseguiu a façanha de me fazer descobrir que adoro essa história em todas as suas versões. A peça supera um pouco a adaptação cinematográfica, em minha opinião, é claro, até porque as duas partem de intenções muito diferentes. O filme aposta no encantamento, no humor leve e no romance idealizado; já o texto de Osman Lins me pareceu ter sido construído em cima de uma espécie de ironia pura, que guia e questiona a narrativa ao mesmo tempo. O que antes eu conhecia pelo filme como uma história leve, na peça me pareceu quase um jogo intelectual, que deixa evidentes as engrenagens e os exageros intencionais dos papéis encenados. E isso naturalmente tornou o livro mais rico e um pouco menos ingênuo emocionalmente do que o filme, para mim. A meu ver, a adaptação abraça a ingenuidade: Guel Arraes quer que a gente se apaixone, torça pelo romance e se encante, mesmo quando percebemos que tudo aquilo é muito fantasioso, enquanto Lins tenta nos mostrar como a história foi construída. Eu tenho uma longa relação com a adaptação; assisti a ela inúmeras vezes. Assim como aconteceu com O Auto da Compadecida, decorei as falas e consigo citar cena por cena. Acho que isso possibilitou que eu conseguisse fazer essa distinção entre o contraste do encantamento que o filme traz e a lucidez irônica do texto original. Dito isso, estou fascinada em conhecer a obra que deu origem a um dos filmes brasileiros que eu mais amo assistir, principalmente quando busco revisitar um romance imperfeito, que me provoca ótimas risadas e que está cheio de personagens carismáticos.

    97 curtidas

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    • 4 estrelas32%
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    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas2%
    Osman da Costa Lins profile picture

    Osman da Costa Lins

    Aos 16 dias de nascimento, Osman Lins perdeu a mãe. Sem lembrança visual da mãe ou fotografia dela, sua obra - de algum modo - traz esse traço biográfico: o de tentar reconstituir o rosto de alguém muito amado, porém desconhecido. A educação primária foi feita entre 1932 e 1935, no Colégio Santo Antão. O ginásio foi feito entre 1936 e 1940 no Colégio Vitória. Em 1941 transfere-se para Recife e inicia sua atividade profissional como escriturário na secretaria do colégio. É dessa mesma época - nos jornais da capital - que aparecem as primeiras histórias do escritor ("Menino Mau","Fantasmas", etc.). Em 1943, por concurso, vai trabalhar no Banco do Brasil e, entre 1944 - 1946, realiza o curso de Finanças pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Recife. Entre 1947 e 1953 casa-se e tem 3 filhas: Litânia, Letícia e Ângela. Seu reconhecimento público veio com o livro "O Visitante" (1955). Em 1957 publica "Os Gestos" (contos) e "O Vale sem Sol"(teatro). Em 1960 conclui o curso de Dramaturgia na Universidade do Recife e, em seguida, vai para a Europa, através de uma bolsa de estudos oferecida pela Aliança Francesa. Nesse período (1961) sua peça teatral "Lisbela e o Prisioneiro" estreia no Rio de Janeiro e o romance "O Fiel e a Pedra" é publicado. Em 1963 publica "Marinheiro de Primeira Viagem" e, em 1966 publica os contos de "Nove, Novena" (livro considerado seu divisor de águas, quanto a sua poética) e, em 1973 aparece o exuberante "Avalovara". Seu último livro, "A Rainha dos Cárceres da Grécia", é publicado em 1976. O escritor falece dois anos depois, em 1978.

    31 Livros
    39 Seguidores
    Pernambuco, Brasil

    Osman da Costa Lins