Este país não é para velhos -

    Cormac McCarthy

    Relógio d’Água
    2005
    238 páginas
    7h 56m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    A história desenvolve-se no final dos anos setenta, na fronteira do Texas com o México, onde ladrões de gado deram lugar a traficantes de droga e pequenas cidades são agora zonas abertas de combate. Llewelyn Moss encontra uma carrinha cheia de cadáveres, um carregamento de heroína e dois milhões de dólares no banco traseiro. Ao apoderar-se do dinheiro, dá início a uma cadeia de reacções de violência catastrófica que nem a lei pode controlar. Com temas tão antigos como a Bíblia e tão sangrentos como os títulos dos jornais actuais, No Country for Old Men é uma obra de enorme originalidade.

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    Flávia03/02/2024Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    NADA NA VIDA É MAIS CRUEL QUE UM COVARDE.

    “Onde os velhos não têm vez” é um romance western e policial de um dos maiores escritores norte-americano contemporâneos, Cormac McCarthy, que ficou conhecido “por suas representações gráficas de violência e seu estilo de escrita único, reconhecível por um uso esparso de pontuação e atribuição”. Publicado em 19 de setembro de 2006, o romance tem como cenário o impiedoso deserto da fronteira do Texas com o México nos anos 1980. A trama inicia quando Llewelyn Moss, um jovem veterano da guerra do Vietnã, está à caça de antílopes próximo ao Rio Grande, e se depara com uma cena violenta de corpos cravejados de balas, um carregamento de heroína e mais de 2 milhões de dólares. Quando decide pegar o dinheiro, Llewelyn sabe que aquele é o exato instante em que sua vida mudará para sempre, tendo ali iniciado uma verdadeira caça de homens. No encalço de Llewelyn está o psicopata Anton Chigurh, contratado por um cartel para reaver o dinheiro, que por sua vez será perseguido por um ex-agente das forças especiais americanas. E atrás de todos eles, está o Xerife Bell, um homem atormentado por um segredo do passado, que segue sua vida tendo por base seus mais fortes valores morais. Nesta caçada sanguinária, o destino de cada um deles dependerá do quanto estarão dispostos a sacrificar tudo em suas vidas. A narrativa de Cormac muito embora seja econômica, possui uma agilidade e fôlego tão impressionantes que nos sentimos apreensivos em várias partes da leitura. E toda essa angústia e apreensão serão os elementos fundamentais para abrir caminho ao impacto que sofreremos com cada uma das tragédias que acompanham essa história do seu começo até o fim. Apesar de toda a violência, acompanhar a cada início de capítulo os pensamentos, divagações e confidências pessoais do Xerife Bell, nos faz refletir sobre importantes temas, tais como os laços de amor, de sangue e os deveres que assumimos com cada pessoa que cruza o nosso caminho, cujas escolhas que tomamos serão responsáveis por moldar a nossa vida, tanto quanto poderão ser aquelas capazes de mudar completamente o nosso destino. A cada livro que leio do McCarthy, eu confesso que me apaixono ainda mais pela sua escrita e por esse irresistível universo de faroeste que ele nos apresenta. E muito embora, neste romance específico, eu preciso dizer que seu final foi tão abrupto, a ponto de dar aquela sensação de que algo ficou faltando, não há como encerrar essa resenha sem dizer que McCarthy é um verdadeiro mago das palavras, que ao descrever seus cenários e nos fazer mergulhar na vida dos seus personagens, ele é capaz de nos transportar para esse universo árido e brutal, que mesmo sendo repleto de tragédia, também é repleto por essa moral que rege a nossa humanidade. “Meu pai sempre me disse para apenas fazer o melhor que puder e dizer a verdade. Dizia que não havia nada capaz de deixar um homem com a mente mais tranquila do que acordar pela manhã e não ter que tentar decidir quem você é. E se você fez alguma coisa errada apenas se levante e diga que fez e que sente muito e siga em frente. Não arraste as coisas junto com você.”

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