Os embaixadores -

    Henry James

    Cosac Naify
    2010
    608 páginas
    20h 16m
    ISBN-13: 9788575039489
    Português Brasileiro

    Obra-prima da passagem do romance realista para o moderno, e até hoje inédito em português, Os embaixadores é um dos romances preferidos de seu autor, Henry James. Na busca do "romance perfeito", onde a composição vale mais que a história, Henry James nos apresenta uma história banal, escrita em primeira pessoa. Louis Lambert Strether é um circunspecto americano de meia idade que viaja à Europa com uma missão: resgatar Chadwick, o filho desencaminhado de Mrs. Newsome. O jovem Chadwick deve voltar a Woollett, Massachusetts, para assumir os negócios da família. Nessa empreitada, entretanto, é Strether quem quase acaba se perdendo, primeiro em Londres, depois em Paris, seduzido pelo glamour e pela sofisticação do mundo europeu.

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    Rômulo Lopes15/06/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    a banal respiração

    “Os embaixadores”, de Henry James, possui uma premissa: apresentar o romance perfeito, dentro da lógica que cabe ao autor. O romance explana vários retratos, reflexos e estilhaços contidos em sua essência, e incomoda a alusão que se faz sobre “o que é a vida?”. E a resposta é ser algo banal. Não existe esquema melhor, dentro desta obra, que sentir e consumir tal adjetivo de acordo com as elucubrações do personagem de James. Essa característica e as roupagens comuns verticalizam o rebuscado e incrível vocabulário e linguagem do autor. Um dos ápices de Henry é elevar a própria escrita e literatura a um patamar que a faça atravessar ela mesma de forma esquemática, e talvez claustrofóbica. Contudo, enaltece todas as formas internas da escrita e seus desdobramentos, sendo o ponto secreto no quesito linguagem e vocabulário. Não remaneja somente inteligência, James estabelece em nosso interior uma curiosa ligação que dá sentido a este investimento. Por outro lado temos o roteiro, espaço e personagens. E o que realmente parece se tratar esses elementos e a experiência. O personagem principal se vê nulo diante da tal viagem proposta para resgatar o filho de uma importante família ao seio natural para que cumpra seus deveres sociais. Ao chegar em Paris, Louis Lambert Strether, se depara com a falta de preenchimento e realizações em sua vida, começa uma auto-análise, e quais jeitos de olhá-la. A resposta é a leitura em conjunta com o leitor, isso é o básico das exigências de James, não qualquer leitura, mas aquela que estabelece vazios e sonhos e não apenas tentativas de julgar a banalidade alheia olhando a si. A experiência é o cume desta obra, seja para o autor - sua última obra lançada -, seja para o personagem ao descrever todo sentimento encravado em cada átomo, combatendo o tempo, utilizando os devaneios do leitor e recursos linguísticos. Ler sobre esse duplo resgate e enfrentar a vida mirada em outra - repare na coincidência com o leitor e as vidas que ele lê, outro segredo quase inacreditável em James - fomenta as ilusões que somente uma obra tão poética, comum e simples em seu roteiro, pode ter.

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