Já tem alguns bons 15 anos que tive um insight da psicanálise como prática poética que vai da teoria à clínica, curiosamente não foi até Rosácea da Orides Fontela que tive o mesmo pensamento quanto à leitura de filosofia, ou seja, ler o texto filosófico como leitura de poesia. Mas se a leitura de poesia é subjetiva como faz para ter uma leitura objetiva do texto filosófico ou psicanalítico? Dá para ser objetivo lendo Hegel ou Lacan? Dá para lê-los sem ajuda de comentadores que por sua vez aplicaram certa subjetividade em suas leituras? Dá para fazer Cartel sem 5 leituras diferentes do mesmo texto? No fundo a teoria é tão flexível quanto a prática clínica do setting, dá para saber o que se falou, mas nunca o que o outro escutou, por mais que a sintaxe pudesse ser objetiva. Enfim, voltando ao livro da Orides, é uma releitura e acho que gostei mais dessa vez, talvez tenha se tornado meu livro favorito dela.


