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    A feijoada que derrubou o governo (Jornalismo Literário) - A política brasileira observada com o estilo e a ironia de uma víbora da reportagem

    Joel Silveira

    Companhia das Letras
    2004
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-13: 9788535905731
    Português Brasileiro
    4
    51 avaliações
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    Joel Silveira foi um dos pioneiros do jornalismo literário no Brasil. A feijoada que derrubou o governo reúne artigos, reportagens e crônicas sobre a política brasileira e internacional, contadas por esta verdadeira fera do texto jornalístico. Posfácio de Leão Serva. A feijoada que derrubou o governo reúne histórias políticas sempre saborosas, tanto das grandes figuras da República, como Juscelino Kubitschek, João Goulart ou Jânio Quadros, como das menos conhecidas do público atual (mas não por isso menos interessantes). Uma delas é Antonio Carlos Ribeiro de Andrada, a raposa mineira que "tirava a meia sem tirar o sapato" e que, ao deixar o Ministério da Fazenda, pediu sete contos emprestados para pagar suas dívidas. Já o chefe de polícia de Getulio Vargas, João Alberto Lins de Barros, intimava os amigos a comparecer de madrugada à delegacia com o objetivo de formar uma roda de pôquer. Só Getulio Vargas recusou-se a dar entrevista a Joel: esmagou no cinzeiro o que restava do charuto e saiu sem se despedir, batendo a porta. O incidente, claro, rendeu matéria. Em meio a esses personagens todos, salta aos olhos um em especial: o próprio Joel. Seja no relato de sua experiência como correspondente na Segunda Guerra, na observação fina da fauna política brasileira e no relato histórico despretensioso, Joel mostra como o jornalismo pode ser saboroso e surpreendentemente original.

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    Dinoê César Urbano11/11/2011Resenhou um livro
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    O Golpe da Feijoada

    Como um prato típico poderia estar relacionado à eclosão da ditadura militar no Brasil? Tenho a impressão de que essa foi uma pergunta que muitos leitores fizeram a si mesmos quando se depararam com o título do livro do jornalista e escritor Joel Silveira, A Feijoada que Derrubou o Governo (Companhia das Letras, 2004). Há de se considerar que não há nada mais literário do que escolher o corriqueiro ou o detalhe para ancorar a narrativa de um fato histórico; e foi dessa maneira que Silveira apresentou parte da história do Brasil, pelo menos da qual ele vivenciou. No livro, as experiências do autor como jornalista aparecem vestidas do tom da crônica, que, por sua vez, se aproxima muito do verdadeiro ato de narrar indicado pelo pensador Walter Benjamin em seu ensaio O Narrador. As histórias, uma vez lidas, portanto, ficarão guardadas na memória do leitor e o farão encarar os fatos históricos sob um íntimo, sólido e despretensioso prisma. A generalidade e o distanciamento, característicos dos livros de história, ficam de lado nesse livro. A escrita dotada de estilo próprio de Silveira, bem como sua vasta experiência na política brasileira, viabilizaram, de certa forma, o êxito do escritor nos seus 18 livros-reportagem, dentre os quais estão O Inverno da Guerra (Companhia das Letras, 2005) e Você Nunca Será Um Deles (Rrecord, 1988). Isso sem falar em sua obra ficcional que inclui O Dia em que o Leão Morreu (Record, 1986) e Não foi o que Você Pediu? (José Olympio). Contemporâneo de outros grandes profissionais que marcaram o jornalismo dos anos 40 como David Nasser, Samuel Wainer e Edmar Morel; Silveira começou a construir sua carreira jornalística quando saiu de Aracaju SE, sua cidade natal, e foi para o Rio de Janeiro, onde passou a conviver com intelectuais como Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e Manuel Bandeira. Seu primeiro emprego foi no Dom Casmurro, um periódico literário. Depois passou a atuar como repórter na revista Diretrizes do Samuel Wainer, além de escrever para outros veículos como a revista Manchete e nos jornais Correio da Manhã, Diário de Notícias, O Estado de S. Paulo, Última hora e Diários Associados. Foi a partir desse cenário que Silveira concebeu A Feijoada que Derrubou o Governo. Além de tratar do período da ditadura, do qual faz parte a tal feijoada, o autor acrescenta no livro algumas outras histórias políticas que envolvem grandes figuras públicas como Jucelino Kubitscheck, João Goulart e Jânio Quadros. Vale ressaltar aqui o capítulo que Silveira reserva para contar sua visita a fazenda de JK em Luisiânia. Uma parte emocionante que revela a intimidade e o lado humano do visionário presidente e, além disso, a relação de amizade com o próprio jornalista. Aqui, o autor revela como que num diário íntimo seus sentimentos em decorrência da morte do ex-presidente e os deixa transparecer nestas últimas páginas do livro. Mas, e a feijoada? Joel Silveira bem sabia da história mais expressiva ao usá-la para nomear o livro. A noite em que o jornalista participa de uma feijoada na casa de um ministro é o norte para que ele conte sua experiência da passagem do dia 31 de março para o dia 1º de abril de 1964, que oficializou a tomada do poder pelos militares.

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    Joel Silveira

    Joel Silveira foi um jornalista e escritor brasileiro. Seu primeiro emprego foi no semanário Dom Casmurro, de propriedade de Brício de Abreu e Álvaro Moreyra. Depois foi repórter e secretário da revista Diretrizes, semanário de propriedade de Samuel Wainer, onde permaneceu até a redação ser fechada pelo DIP, em 1944. Escreveu também para os Diários Associados, Última Hora, O Estado de S. Paulo, Diário de Notícias, Correio da Manhã e Manchete. Seus mais de 60 anos de carreira contabilizaram passagens por diversas redações do país, nas quais ocupou inúmeros cargos. Foi escolhido por Assis Chateaubriand, dos Diários Associados para ser correspondente de guerra junto à F.E.B., apesar de parecer contrário do DIP e do General Dutra, então Ministro da Guerra. É reconhecido por ser um dos precursores do jornalismo internacional e do jornalismo literário no Brasil. Ganhou de Assis Chateaubriand o apelido de "a víbora" por seu estilo ferino e impactante. As reportagens Eram Assim os Grã-Finos em São Paulo e A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista o consagraram como profissional e hoje são tidas como verdadeiros clássicos do gênero. Publicou cerca de 40 livros. Foi agraciado com o prêmio Machado de Assis, o mais importante da Academia Brasileira de Letras, em 1998, pelo conjunto de sua obra. Foi ganhador dos prêmios Líbero Badaró, Prêmio Esso Especial, Prêmio Jabuti e o Golfinho de Ouro.

    26 Livros
    8 Seguidores
    Sergipe, Brasil

    Joel Silveira