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    O Homem do Castelo Alto -

    Philip K. Dick

    Saída de Emergência
    2010
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9789896372767
    Português
    3.5
    7177 avaliações
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    Estamos em 1962. A Segunda Guerra Mundial terminou há dezassete anos e a população já teve tempo de se adaptar à nova ordem mundial. Mas não tem sido fácil: o Mediterrâneo foi drenado, a população de África foi eliminada e os Estados Unidos da América divididos entre nazis e japoneses. Na zona neutra que divide as duas superpotências vive o homem do castelo alto, autor de um bestseller de culto, uma obra de ficção que oferece uma teoria alternativa da história mundial em que o Eixo perdeu a guerra. O romance é um grito de revolta para todos aqueles que sonham derrubar os invasores. Mas poderá ser mais do que isso? Subtil e complexo, O Homem do Castelo Alto permanece como o melhor romance de história alternativa jamais escrito.

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    Sidney Danillo de Moraes Lopes picture
    Sidney Danillo de Moraes Lopes16/04/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Gafanhoto Torna-se Pesado

    E se a Alemanha nazista tivesse vencido ? Como o país e sua Blitzkrieg chegou muito perto de ganhar a Segunda Guerra Mundial, essa é uma realidade que foi imaginada por muitos. Um destes foi Philip Kindred Dick, que em 1962 lançou "O Homem do Castelo Alto", ganhador do prêmio Hugo de 1963. Na realidade imaginada por K. Dick, os EUA não conseguiram superar a grande depressão de 1929 devido ao assassinato de Franklin Roosevelt, o que faz o país ficar extremamente fragilizado militarmente e não conseguir ajudar os Aliados. E, pior ainda: o Japão invade o Oeste do país. Enquanto isso, a Alemanha toma toda a Europa, dizima a URSS, a África e todas as minorias. Resumindo, basicamente a Alemanha toma toda a África, Europa e o Leste dos EUA. Japão domina Ásia, Oceania e o Oeste dos EUA. É nesse cenário que PKD desenvolve talvez os seus personagens com maior profundidade (pelo menos dentre as obras que li até agora): Frank Frink, um construtor de jóias; Juliana Frink, ex-mulher de Frank, que parte em uma jornada ao lado de um agente nazista disfarçado; Robert Childan, o dono de um antiquário que tem um complexo de inferioridade e ao mesmo tempo admiração pelos japoneses dominadores; Nobusuke Tagomi (meu preferido), o ministro do comércio japonês nos EUA, que se vê em meio a uma conspiração envolvendo um agente alemão da Abwehr e um militar japonês de alta patente; E Hawthorne Abendsen, o escritor de um livro dentro do livro chamado "O Gafanhoto Torna-se Pesado", que relata com uma verossimilhança absurda a derrota do Eixo na guerra. Ou seja, temos aqui uma metalinguagem. E uma das boas. Algo que liga esses personagens é o I Ching, o livro das mutações, que permeia toda a história, guiando e aconselhando os personagens e com um peso ainda maior do que o livro escrito por Abendsen. Aliás, Abendsen é o próprio Dick. Figurativamente. Na realidade e na ficção, os autores usaram o I Ching de maneira quase febril para escrever seus livros, isolados em uma cabana. Nas duas realidades, o I Ching determina a construção dos personagens e o andamento da história. Realidade e ficção se misturam de maneira perfeita, em uma incrível metalinguagem. Em determinado momento da história, há até a discussão se o livro de Abendsen é ou não ficção científica e, por tabela, traz esse questionamento para o próprio "Homem do Castelo Alto". Esse livro é fantástico, pois mostra perfeitamente o mundo dominado pelo Eixo. No período em que ocorre a história, há uma espécie de guerra fria entre Japão e Alemanha, que estão para ir para as vias de fato através da operação nazista dente-de-leão; Mostra como a Alemanha é superior ao Japão tecnologicamente, tendo até iniciado a exploração espacial, plenamente factível, se lembrarmos que os EUA cooptaram vários cientistas nazistas para trabalhar em sua própria tecnologia espacial. Aliás, essa exploração espacial nazista (conceito assustador!) é o único traço de sci-fi deste livro. Podemos dizer que K. Dick escreveu uma ficção especulativa distópica. Outro aspecto interessante que não costumamos ver com frequência nas obras do autor é a existência de uma personagem feminina com relevância na história. E Juliana Frink é essa personagem. Emmanuel Carrère diz na biografia "Eu estou vivo e vocês estão mortos" que Dick criou Juliana para se apaixonar por ela. A personagem é a responsável por mostrar à Abendsen, através de uma pergunta ao I Ching que o próprio jamais teve coragem de fazer, que a realidade descrita em "O Gafanhoto Torna-se Pesado" é a verdadeira realidade, que aquela na quais os personagens viviam de alguma forma era falsa. Este é o final do livro, determinado pelo I Ching no mundo real, e pra mim foi plenamente satisfatório. Vale dizer que o Sr. Tagomi teve um vislumbre desta "realidade verdadeira" em um momento que assemelha-se à iluminação budista, descrito belamente pelo autor: "Sinto os ventos quentes do carma me conduzirem. Não obstante, fico aqui. Meu treinamento foi correto: não devo fugir da brilhante luz branca pois, se o fizer, retornarei novamente ao ciclo da vida e da morte, sem nunca conhecer a liberdade, sem nunca ter descanso. O véu de Maya tombará mais uma vez se eu... A luz desapareceu. " Enfim, esse livro ainda possui muitos outros detalhes dignos de nota, como a noção de historicidade de objetos de coleção, grande descrição da geopolítica daquela realidade, a profundidade da psiquê dos personagens e muitas outras coisas. Mas basta dizer que este é um livro digno de uma leitura atenta e detalhada e que irá te fazer pensar por dias! Ah, vale lembrar que há a série de TV baseada no livro. Eu vi somente a primeira temporada e gostei bastante, apesar da história ser muito diferente em relação ao livro e achar o andamento um pouco arrastado. Vale a pena conferir, mas o livro é infinitamente superior!

    251 curtidas

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    Avaliações

    3.5 / 7177
    • 5 estrelas14%
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    • 2 estrelas15%
    • 1 estrelas3%