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    A solidão dos números primos -

    Paolo Giordano

    Rocco
    2009
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788532524720
    Português Brasileiro
    4
    1243 avaliações
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    Favoritos249Desejados1944Avaliaram1243

    Em sua estreia literária, com apenas 25 anos, o escritor italiano Paolo Giordano conseguiu alcançar um equilíbrio raro a experientes autores: aclamado pela crítica europeia, foi recebido de braços abertos também pelo público. O romance A solidão dos números primos recebeu o prêmio Stregga e a menção honrosa do Campiello, os dois prêmios mais importantes da Itália, onde já foi lido por mais de um milhão e 300 mil pessoas – marca que o elevou ao topo da lista dos mais vendidos. Traduzida em mais de 20 países, a obra chega às livrarias brasileiras pela Rocco. O romance é uma pequena coleção das dores de uma juventude a qual Giordano conhece bem. Ao se concentrar na história de Alice e Mattia, os dois protagonistas, o autor faz também um relato da pequena burguesia italiana em capítulos que vão de 1983 a 2007, período em que evolui cronologicamente a narrativa. Dois acidentes dão a partida à cadência da trama: Alice é uma menina que fora forçada pelo pai a ser uma brilhante atleta. Em um dia de treino, sofre uma queda que a deixará marcada para sempre. Mattia é um pequeno gênio da matemática. A caminho de uma festinha de aniversário, deixa a irmã gêmea, da qual se envergonha, sozinha num banco de praça e nunca mais a vê. Marcados por suas histórias e um sentimento permanente de inadequação, Alice e Mattia se conhecem na escola e, desde então, ficam cada dia mais unidos. A fixação por belas imagens faz com que Alice torne-se fotógrafa. Mattia tem uma maneira particular de ver o mundo, sempre por teoremas matemáticos – e não por acaso torna-se um brilhante cientista. E é assim, através do olhar aguçado de Alice e das hipóteses lógicas de Mattia, que Giordano conduz a narrativa densa e sensível de seu premiado romance de estreia. Segundo o autor, os protagonistas “são típicos representantes de uma burguesia abastada, que dá conforto aos filhos, mas os deixa sozinhos”. É de maneira cortante que Giordano dá conta desta solidão – como ao descrever o pai que não se dá ao trabalho de tirar o cinto de segurança para dar um beijo no filho, ao deixá-lo na escola. Ou a família que não percebe a anorexia da filha, disfarçada por uma barreira de copos diante de um prato de refeição intocado.

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    Ladyce West picture
    Ladyce West22/01/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma história envolvente e moderna, envolta em poesia!

    Há tempos eu não lia compulsivamente. Em geral leio de dois a três livros simultaneamente, mas confesso que no mês de janeiro houve duas narrativas, completamente distantes uma da outra que não me deixaram dividir meu tempo livre com qualquer outra história. Foram leituras sedutoras do início ao fim e que pediram e ganharam a minha total atenção enquanto leitora: O TIGRE BRANCO, de Aravind Adiga [Nova Fronteira: 2008] e A SOLIDÃO DOS NÚMEROS PRIMOS de Paolo Giordano [Rocco: 2008]. Hoje vou me concentrar no livro italiano. Eu não teria acreditado, se me dissessem, que eu iria me interessar, que iria ler apaixonadamente, um romance que tratasse das vidas de pessoas muito complexas, que carregavam traumas da infância. Pessoas que cresceram no meio de famílias ineptas, que não conseguiam lhes dar atenção. Famílias, pais, que não notam as carências dos filhos, que os deixam sofrer distúrbios emocionais. Essa descrição dos dois principais personagens de A SOLIDÃO DOS NÚMEROS PRIMOS, Alice e Mattia, teria simplesmente feito com que eu fechasse o livro e dito: "Não sei se me encontro num momento emocional para ler sobre este tipo de tragédia. Ando a procura de uma história mais branda"... Que erro eu teria cometido! Porque não teria sido apresentada a esta história maravilhosa, a este livro sedutor. Mas aí entra a arte deste recém descoberto escritor, Paolo Giordano. Sua primeira profissão é a física. É formado em Física pela Universidade de Turim, onde ganhou uma bolsa de doutoramento em Física de Partículas. A segunda profissão, só agora começada, é a de escritor. Não sei se uma tomará a frente da outra. Numa entrevista à revista Elle, o escritor, que foi agraciado com o maior prêmio literário da Itália, o Prêmio Strega, em 2008, por este primeiro romance, com o qual também recebeu uma menção honrosa do Prêmio Campiello no mesmo ano, garante que gosta mais de escrever. Espero que sim, pois revelou uma voz única e bem sucedida. Parte do sucesso dessa narrativa vem da revelação, muito bem descrita, dos sentimentos de inadequação dos adolescentes, sentimentos que serão permanentes em cada um dos protagonistas. Alice e Mattia têm essa inadequação elevadíssima: conseqüência do sofrimento físico ou psicológico sofrido por cada um na infância. Vivem em extrema solidão, mesmo sendo membros de famílias confortavelmente estabelecidas na classe média. Acompanhamos suas vidas de 1983 a 2007. Enquanto Mattia, que tem o perfil de um gênio, se refugia na matemática, onde consegue se realizar – porque nela sentimentos não são necessários; Alice encontra abrigo na anorexia, onde se sente confortável, emocionalmente, habituada que está à ausência dos alimentos emotivos de que sua alma, seu espírito, precisam. Ambos são ímpares em seus respectivos casulos emocionais e é exatamente isso o que os aproxima e o que nos aproxima dos personagens. Fato é que conhecemos estes personagens. Se não são nossos filhos, irmãos, primos ou sobrinhos, estão no círculo de amigos, amigos de amigos, filhos de amigos, companheiros com quem nos relacionamos. Reconhecemos alguém próximo e com a narrativa sedutora, rápida e contemporânea de Paolo Giordano seria difícil não nos aproximarmos emocionalmente, não acharmos Alice e Mattia fascinantes. Dizer que a matemática tem poesia é lugar comum. Mostrá-la é único! Neste livro a matemática é usada como metáfora, magistralmente: "Os números primos são divisíveis apenas por um e por si mesmos. Estão em seus lugares na série infinita dos números naturais, comprimidos entre dois, como todos, mas um passo adiante em relação aos outros. São números suspeitos e solitários, e por isso Mattia os achava maravilhosos". E nas mãos hábeis de Paolo Giordano, nós também achamos os números primos maravilhosos. Leia. Não se arrependerá!

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    Paolo Giordano

    Paolo Giordano nasceu em Turim, em 1982, filho de um médico ginecologista e de uma professora de Inglês. Licenciou-se em Física na Universidade de Turim. Por conta de seu trabalho de conclusão de curso, eleito um dos melhores do ano, ganhou uma bolsa de doutorado em Física de Partículas. Atualmente vive em San Mauro e trabalha em um projeto cofinanciado pelo Instituto Nacional de Física Nuclear.

    14 Livros
    54 Seguidores

    Paolo Giordano