A ilha de Arturo - Memórias de um garoto

    Elsa Morante

    Carambaia
    2022
    459 páginas
    15h 18m
    ISBN-10: B09R7WSY2D
    Português Brasileiro

    Ambientado numa ilha próxima a Nápoles, romance de uma das principais autoras italianas do século XX retrata a adolescência de um garoto às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Elsa Morante (1912-1985) afirmou certa vez, parodiando Flaubert, que "Arturo sou eu". Referia-se ao personagem narrador de A ilha de Arturo — Memórias de um garoto, uma assombrosa evocação da infância e da puberdade, que rendeu à autora o mais importante prêmio literário da Itália, o Strega (em 1957). A ilha de Arturo se passa às vésperas da Segunda Guerra Mundial em Procida, ilha na região de Nápoles onde o personagem, de 14 anos, vive uma vida de liberdade e imaginação, sem escola, mas plena de livros e natureza selvagem. Órfão de mãe, ele tem o pai, Wilhelm Gerace, que ele idolatra acima de todas as coisas, mas passa grande parte do tempo em viagens misteriosas que alimentam os devaneios de Arturo. Os dois vivem no palácio decaído de um amigo de Gerace, que acumulou dinheiro e detestava as mulheres. A segurança de Arturo, para quem a solidão parecia um "estado natural", é abalada pela chegada da nova esposa do pai, apenas dois anos mais velha do que ele. Sentimentos violentos e confusos começam a aflorar.

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    Carolina Rodrigues08/06/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Impressões da Carol

    Lido: A ilha de Arturo - Memórias de um garoto {1957} Autora: Elsa Morante {Itália, 1912-1985} Tradução: Roberta Barni Editora: Carambaia 384p. A ilha de Prócida, pertencente à Nápoles, é todo o universo desse romance que rendeu o Prêmio Strega a Elsa Morante. Não por coincidência, uma das influências literárias de Elena Ferrante e sua tetralogia Napolitana. Isolados, nesta Ilha, vivem Arturo e sua cadela Immacolatella. Órfão de mãe, morta no parto e filho do errático Wilhelm Gerace, que vive de partidas, Arturo cresce obcecado por esse pai, um herói, em seu código moral de criança solitária e leitora de livros de cavalaria. Prócida para Arturo é um reino, anárquico. As descrições da ilha são vívidas. O mar, as rochas, as ruas íngremes, as casas dos pescadores. A penitenciária, local de homens proscritos, localizada no topo da ilha, a observar seus acontecimentos. E, por fim, a Casa dei Giaglioni, onde mora Arturo. A mansão, em ruínas, herdada por seu pai do misógino Romeo, o Amalfitano, chega a ter ares de personagem e é uma das chaves da trama. A ausência desse pai e sua idealização pelo menino é o fio condutor do romance. Quando Wilhelm retorna à ilha, casado com a jovem Nunziatta, dois anos mais velha que Arturo, o adolescente começa, enfim, a enxergar as rachaduras na imagem que criou do pai, um homem de vida dupla. Tem-se um romance de opostos. Prócida é uma ilha, ao mesmo tempo, é o mundo de Arturo. A liberdade em que o menino cresce é também sua prisão. Instigado a ser misógino e indiferente aos outros, Arturo tem sentimentos de afeto, os quais não consegue traduzir.? A ilha é um útero, no qual Arturo deseja se manter ligado e, ainda assim, precisa escapar para que amadureça. "A ilha de Arturo" é um belo romance. Sem tanta reviravolta, vai agradar aos leitores de tramas mais psicológicas, de construção de personagens. Acredito que o livro levanta muitos pontos para debate, especialmente quanto à relação edipiana entre pai-filho e a figura de Wilhelm Gerace.

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