Impressões da Carol
Lido: A ilha de Arturo - Memórias de um garoto {1957} Autora: Elsa Morante {Itália, 1912-1985} Tradução: Roberta Barni Editora: Carambaia 384p. A ilha de Prócida, pertencente à Nápoles, é todo o universo desse romance que rendeu o Prêmio Strega a Elsa Morante. Não por coincidência, uma das influências literárias de Elena Ferrante e sua tetralogia Napolitana. Isolados, nesta Ilha, vivem Arturo e sua cadela Immacolatella. Órfão de mãe, morta no parto e filho do errático Wilhelm Gerace, que vive de partidas, Arturo cresce obcecado por esse pai, um herói, em seu código moral de criança solitária e leitora de livros de cavalaria. Prócida para Arturo é um reino, anárquico. As descrições da ilha são vívidas. O mar, as rochas, as ruas íngremes, as casas dos pescadores. A penitenciária, local de homens proscritos, localizada no topo da ilha, a observar seus acontecimentos. E, por fim, a Casa dei Giaglioni, onde mora Arturo. A mansão, em ruínas, herdada por seu pai do misógino Romeo, o Amalfitano, chega a ter ares de personagem e é uma das chaves da trama. A ausência desse pai e sua idealização pelo menino é o fio condutor do romance. Quando Wilhelm retorna à ilha, casado com a jovem Nunziatta, dois anos mais velha que Arturo, o adolescente começa, enfim, a enxergar as rachaduras na imagem que criou do pai, um homem de vida dupla. Tem-se um romance de opostos. Prócida é uma ilha, ao mesmo tempo, é o mundo de Arturo. A liberdade em que o menino cresce é também sua prisão. Instigado a ser misógino e indiferente aos outros, Arturo tem sentimentos de afeto, os quais não consegue traduzir.? A ilha é um útero, no qual Arturo deseja se manter ligado e, ainda assim, precisa escapar para que amadureça. "A ilha de Arturo" é um belo romance. Sem tanta reviravolta, vai agradar aos leitores de tramas mais psicológicas, de construção de personagens. Acredito que o livro levanta muitos pontos para debate, especialmente quanto à relação edipiana entre pai-filho e a figura de Wilhelm Gerace.









