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    A Rose for Emily -

    William Faulkner

    Perfection Learning
    1990
    36 páginas
    1h 12m
    ISBN-13: 9781563127885
    4
    84 avaliações
    Leram145Lendo2Querem36Relendo0Abandonos1Resenhas9
    Favoritos4Desejados36Avaliaram84

    "A Rose for Emily" is a short story by American author William Faulkner first published in the April 30, 1930 issue of Forum. This story takes place in Faulkner's fictional city, Jefferson, in his fictional county of Yoknapatawpha County, Mississippi. It was Faulkner's first short story published in a national magazine.

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    Denise Maria Souza João picture
    Denise Maria Souza João13/04/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Ambientado na cidadezinha fictícia de Jefferson, no Mississippi, este conto foi o primeiro de Faulkner a ser publicado numa revista de alcance nacional, The Forum. Escrito de forma não-linear e narrado por uma voz coletiva (nós), o fato de não seguir uma ordem cronológica e apresentar alguns eventos mais de uma vez, sugere que essa voz coletiva seja a própria cidade, onde alguns testemunham uns acontecimentos e outros não, ou o mesmo acontecimento é contado sob uma ótica diversa. O conto inicia-se com a morte da protagonista, aos 74 anos, que há muito tempo isolara-se em sua casa, onde a única outra pessoa cuja presença era permitida era Tobe, um negro que servia como mordomo, jardineiro e faz-tudo. Emily Grierson é a típica representante da aristocracia sulista da pré-guerra, essencialmente escravocrata e separatista. Ela e seu pai foram os últimos remanescentes de sua família e enfrentaram tempos difíceis após a Guerra Civil. Quando seu pai morre, ela demora a reconhecer o fato, numa atitude até mesmo infantil de negar a morte e impedir o sepultamento do corpo por dias. Ele havia impedido que ela se casasse, e agora, aos 30 anos, totalmente dependente dele, sentia-se abandonada. Pouco tempo após a morte do pai, como as calçadas tivessem que ser pavimentadas, vêm trabalhadores negros do norte, bem como um capataz, Homer Barron, um homem grande, seguro, com vozeirão e olhos brilhantes. Logo ele conhece todos na cidade. Quando Emily começa a ser vista com ele, as pessoas acham bom que ela tenha alguém com quem se divertir um pouco, mas quando a coisa parece séria, todos - em especial a velha guarda da cidade - acham que seria conveniente chamar seus parentes do Alabama para lembrá-la de que ela é uma Grierson. Além disso, há rumores de que Barron costuma beber com homens jovens - o que na época não necessariamente pode ter significado sexual, mas social -, e não é o que se considera “alguém para casar”. E chegam duas primas. Na ocasião, como as obras haviam sido concluídas, Barron sai da cidade, mas as fofocas dão conta de que seria temporário, de que haveria o casamento, pois haviam visto Emily comprar todo um kit de prata de toalete com as iniciais H.B., bem como trajes masculinos elegantes, incluindo um pijama. Após a saída das primas, Homer é visto entrando na casa de Emily e depois nunca mais se sabe dele. Curiosamente, embora eu estivesse pensando por qual obra deveria começar a ler Faulkner, por ocasião da leitura de Ópera dos Mortos, de Autran Dourado e a intertextualidade entre aquela obra e este conto, comecei por aqui. E que porta de entrada! Esta narrativa pode ser analisada por vários ângulos, tanto da tentativa da manutenção da tradição e dos privilégios - por ter uma vez sido isenta de impostos pelo prefeito, Emily se recusa a pagá-los pelo resto da vida -, quanto da relação norte (progressista) -sul (tradicionalista), sendo Emily a herdeira casamenteira apegada ao passado e Homer o bon-vivant que não quer amarras. Também pode ser analisada pela perspectiva da infelicidade gerada pelas obrigações sociais: esperava-se de Emily que sempre agisse de acordo com suas raizes aristocráticas, ela mesma era uma vítima do autoritarismo patriarcal que impediu que ela fosse livre, se casasse, saísse de casa. Por outro lado, esta aristocracia, ainda que falida, lhe permitia não ser questionada, como quando ela compra veneno sem dizer para quê ou quando não permite que entrem em sua casa quando um cheiro estranho é sentido na vizinhança. Também há a questão do relacionamento da mulher com a sociedade: mesmo isolada, sua vida é discutida por todos na cidade, inclusive é por obra dos moradores que as primas são chamadas. Como é bom ler um texto que propicia tantas discussões! Enfim… me empolguei aqui. Mas é porque o conto é muito bom! Nota: A Rose for Emily foi adaptado num curta de 1983, dirigido por Lyndon Chubbuck, com Anjelica Huston, Jared Martin e David Downing no elenco. Atualmente está disponível no YouTube.

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    • 5 estrelas30%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas32%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas1%
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    William Faulkner

    Sem diploma do secundário (ensino médio), o prêmio Nobel de Literatura em 1949, e prêmio Pullitzer em 1955 e 1963 (póstumo), William Falkner viveu em sua pequena cidade no Estado mais pobre dos Estados Unidos, o Mississipi. Só viajava para Hollywood para arranjar trabalho como roteirista. Indo e vindo, entre 1932 e 1955, trabalhou para os estúdios Metro, Fox e Warner. Como escreveu o crítico brasileiro Sérgio Augusto: "Só aderiu ao cinema porque precisava de dinheiro. Tinha 35 anos e acabara de escrever 'Luz em Agosto'. A venda de seus livros mal dava para pagar a conta da luz. Seus primeiros quatro livros não venderam mais de 2 mil exemplares cada. Seu primeiro (e único) best seller, 'The Wild Palms', é de 1939". Por volta de 1958, a Fox tentou trazê-lo de volta. Na época, Faulkner, que já não estava mais tão necessitado de dinheiro, recusou o convite. Após publicar "O Fauno de Mármore" (1924, poemas), Faulkner foi a Nova Orleans para conhecer o círculo literário em torno da revista literária "The Double Dealer", que publicava Hart Crane, Ernest Hemingway, Robert Penn Warren e Edmund Wilson. Além dos contos para a revista, Faulkner fez seu primeiro romance "Paga de Soldado". Tímido, ele preferia a companhia de seus amigos caçadores e dos vizinhos de seu sítio a outros escritores e intelectuais. Seus primeiros livros traziam características da literatura do fim do século 19. "O Povoado", o primeiro romance da "Trilogia Snopes", é um retrato irônico das grandes depressões que antecederam a Guerra Civil norte-americana. Em "Os Invictos", publicado no ano de sua morte, o escritor constrói um conflito de éticas e mentalidades entre o velho Sul e a nova realidade americana após a Guerra Civil. Faulkner entrou numa nova fase, quando encontrou seu estilo nas obras "O Som e a Fúria", "Enquanto agonizo", "Santuário", "Luz de agosto", "Dr. Martino e Outros Contos", "Pilão", "Absalão! Absalão!" e "Palmeiras Selvagens". A violência destes livros está em primeiro plano e, às vezes, os personagens têm uma meia vitória aqui e ali. Em "Enquanto agonizo", Faulkner costura dezenas de monólogos de 15 pessoas para mostrar o perfil psicológico de uma família que conduz o corpo da matriarca ao cemitério. A partir de "O lugarejo", o destino dos personagens de Faulkner não é mais tão trágico. Ao menos surge alguma esperança para a condição humana como uma promessa de liberação. Em "Desça Moisés", sobre a luta do personagem Ike McCaslin contra a devastação da mata, Faulkner denuncia injustiças. Além de viagens necessárias à sua carreira, Faulkner continuou enfurnado no Mississipi até se tornar escritor residente da Universidade de Virgínia. O contato com os estudantes está registrado no livro "Faulkner na Universidade".

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