Antônio Chimango (Poemeto campestre) (Obras Redivivas #Vol. 2) - Sátira Política

    Amaro Juvenal (Ramiro Barcellos)

    [Porto Alegre] Martins Livreiro, Editor
    1982
    74 páginas
    2h 28m
    ISBN-10: 8586232165
    Português Brasileiro

    “Antônio Chimango, poema satírico engajado contra a tirania política do Partido Republicano Rio-grandense (PRR) e seu líder, Antônio Augusto Borges de Medeiros, Presidente do Estado por 5 períodos, compõe-se de 5 rondas em linguajar gauchesco, como as 5 etapas do tropeio de gado, e a ação decorre na estância de São Pedro, o próprio estado (antigamente Província de São Pedro), aparecendo, disfarçados em personagens, as principais figuras políticas da época: Júlio de Castilhos, Pinheiro Machado e Aurélio Bittencourt, além, é claro, do próprio Borges de Medeiros, o chimango do título. O poema nasceu de uma dissidência política e o autor aproveitou duas palavras de um irado telegrama de Borges de Medeiros a seu respeito para compor a oferta do poemeto, publicado sob pseudônimo. Fez enorme sucesso e, proibido e apreendido pela polícia, teve inúmeras edições clandestinas. Passado de mão em mão, memorizado, comentado durante anos, o poema hoje faz parte do imaginário do Rio Grande do Sul. Foi escrito em poucos dias, ao calor dos acontecimentos de 1915, nas costas de papéis impressos para as eleições, e conta Augusto Meyer que, segundo uma testemunha, o autor ria e escrevia. Era o riso da sátira que desopila o fígado e areja as indignações acumuladas. Amaro Juvenal, pseudônimo de Ramiro Fortes de Barcellos, nasceu em Cachoeira do Sul, (RS), em 1851, e faleceu em Porto Alegre, 1916 (ou 1919, conforme a fonte). Médico e professor da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, foi também poeta, jornalista e historiador. Político, foi Secretário da Fazenda do Estado, deputado federal, senador e embaixador do Brasil no Uruguai. Foi redator do jornal A Federação, órgão do Partido Republicano Rio-Grandense, de que era membro ativo e com o qual rompeu em rumorosa dissidência que originou o seu famoso poema Antônio Chimango em 1915. Pecuarista e estancieiro, conhecia bem as lides do campo e deu a sua sátira política o disfarce de poemeto campestre, história de um peão oportunista e ladino contada ao pé do fogo após as tropeiradas. Autor de crônicas combatidas na imprensa, sua bibliografia reúne algumas obras de Medicina, Política e História. (Fonte: Ari Martins, Escritores do Rio Grande do Sul, UFRGS / IEL, 1978; Pedro Leite Villas-Boas, Dicionário Bibliográfico Gaúcho, EST / Edigal, 1991; e Luís Augusto Fischer, Pequeno Dicionário da Literatura do Rio Grande do Sul, organizado por Regina Zilbermann e outros, Ed. Novo Século, 1999). ==== http://darisimi.blogspot.com/2013/10/antonio-chimango-poemeto-campestre.html?m=1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Província_de_São_Pedro_do_Rio_Grande_do_Sul

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Yuri Ramos picture
    Yuri Ramos11/10/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Poemeto de Campo

    Antônio Chimango é um daqueles poemetos que marcam profundamente a cultura de um povo. É, para o Brasil, o equivalente ao Martín Fierro argentino. Embora tenha surgido de uma disputa política, ao se valer de um tema campeiro e de uma linguagem acessível ao homem do campo, eterniza os costumes e tradições de toda uma nação. Posso afirmar que esse poemeto, junto com a obra monumental O Tempo e o Vento, retrata com precisão a alma do povo gaúcho. Ambas as obras preservam sua identidade de forma inabalável, independentemente da geração que venha a seguir, e, na ausência de um mito fundador, estabelecem-se como a lente através da qual esse povo enxerga a vida.

    curtir

    Estatísticas

    Avaliações

    3.6 / 17
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas24%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas12%
    • 1 estrelas6%