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    O buraco na parede - Contos

    Rubem Fonseca

    Companhia das Letras
    1995
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788571644793
    Português Brasileiro
    3.9
    475 avaliações
    Leram873Lendo24Querem297Relendo1Abandonos4Resenhas24
    Favoritos21Desejados297Avaliaram475

    Mestre na arte do conto, Rubem Fonseca dá às palavras uma força de impacto poucas vezes obtida por outros ficcionistas. Delegados e marginais, escritores fracassados, pobres-diabos que se sujeitam a qualquer negócio, o sexo como moeda podre, culpa e apartheid social entrelaçam-se continuamente em textos inquietos e velozes, que o leitor, perturbado e cúmplice, traga sem respirar da primeira à última linha. Depois da publicação de Contos reunidos (Companhia das Letras, 1994), Rubem Fonseca retomou o gênero com este O buraco na parede, seu décimo terceiro livro publicado. Aqui estão presentes as mesmas qualidades de ousadia, lucidez, técnica e invenção que fizeram de sua literatura um dos registros mais contundentes da vida no Brasil de hoje - esse mundo estranho que não deixa de ser o nosso mundo.

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    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva26/04/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    constantes de Rubão

    Os livros de Rubem Fonseca estão entre os raros que não passo adiante depois de ler, pois sempre guardo para ler novamente outro dia. E não à toa: li a maioria dos que tenho aqui duas ou três vezes. E a cada vez que leio de novo, mais aprendo e mais fico fascinado pela força da prosa de Rubem Fonseca. Ele foi o meu escritor favorito durante um período muito especial de minha vida, quando eu estava escrevendo meu primeiro livro, “O Sincronicídio” (https://caligo.lojaintegrada.com.br/o-sincronicidio-fabio-shiva). E hoje ele não deixou de ser favorito, eu é que passei a apreciar outros universos narrativos com a mesma intensidade que antes era exclusiva aos livros de Rubão. Ao saber de seu recente desencarne, senti uma saudade fininha e quis voltar uma vez mais a esse mundo tão conhecido e querido. Escolhi, quase que aleatoriamente, “O buraco na parede”, lido apenas duas vezes. Nessa terceira leitura, me diverti elaborando uma breve lista das constantes (ou quase-constantes) da prosa de Rubem Fonseca: 1) A maldição do macho irresistível Os heróis de RF geralmente fazem um tremendo sucesso com as mulheres, e o mais curioso é que eles geralmente consideram essa condição como uma espécie de fardo: a “maldição do priapismo”. Um dos melhores exemplos disso está no conto “O anão”, onde o herói é disputado acirradamente por duas mulheres, em consequência de um estado de tesão constante, que o faz “dar nove sem tirar”, provocado pela vida de bancário, “pegando em dinheiro dos outros o dia inteiro”. 2) O tempero bizarro As desventuras amorosas do herói geralmente trazem como pano de fundo (ou primeiro plano) alguma situação bizarra, do tipo que só encontramos nas histórias de RF. Um ótimo exemplo é o conto “Placebo”, que retrata a sofrida saga do protagonista para encontrar um feto de três meses, que será utilizado para preparar um feitiço capaz de curá-lo de uma sinistra doença degenerativa. 3) A narrativa seca na primeira pessoa Essa é uma combinação espetacular: o protagonista conta ele mesmo, em uma linguagem seca e concisa, suas peripécias de tesão incurável, sendo assediado por beldades em meio a situações para lá de bizarras. O resultado é inconfundível: a marca da prosa única de Rubem Fonseca! https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2020/04/o-buraco-na-parede-rubem-fonseca.html

    29 curtidas

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    3.9 / 475
    • 5 estrelas26%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas31%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
    José Rubem Fonseca profile picture

    José Rubem Fonseca

    O escritor e roteirista cinematográfico brasileiro José Rubem Fonseca nasceu no dia 11 de Maio de 1925, na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Ele se graduou em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde ele passou a residir a partir dos oito anos. Antes de se devotar ao ofício literário, Rubem percorreu uma longa jornada na carreira policial, na qual ingressou ocupando o cargo de comissário, no 16º Distrito Policial, em São Cristóvão, ainda em terras cariocas, no dia 31 de dezembro de 1952. Ele permaneceu nesta profissão até o dia 06 de fevereiro de 1958, quando foi exonerado. Durante a maior parte de sua vivência policial ele trabalhou no gabinete, como relações públicas dessa instituição, estagiando por pouco tempo nas ruas. Um dos melhores estudantes da Escola de Polícia, ele se destacou profissionalmente por sua percepção apurada da psique humana, sua visão psicológica dos infortúnios do Homem. As experiências então vivenciadas pelo autor foram depois traduzidas por ele em sua obra. Neste momento, porém, ele ainda não revelava nenhuma inclinação literária. Em 1954, no mês de Julho, ele e mais nove policiais receberam a oportunidade de estudar nos EUA. Ele aproveitou este momento para também cursar Administração e Comunicação nas Universidades de Nova York e de Boston. De volta ao Brasil, atuou na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, ministrando aulas sobre seu campo de trabalho. Ao deixar a Polícia, o escritor ainda teve uma passagem pela Light, antes de se dedicar totalmente à literatura. O autor iniciou sua trajetória literária escrevendo contos, reunidos depois no livro Os Prisioneiros, lançado em 1963. A partir daí seu impulso criador não mais cessou. Ele publicou A Coleira do Cão, de 1965; Lúcia McCartney, de 1967; O Caso Morel, em 1973; Feliz Ano Novo – livro de 1975, censurado durante a Ditadura Militar; O Cobrador, de 1979; A Grande Arte – romance de 1983, adaptado para o cinema pelo próprio autor, dirigido por Walter Salles Jr.; Buffo & Spallanzani, de 1986; Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, em 1988; Agosto, de 1990 – convertido para as telas televisivas com grande sucesso; O Selvagem da Ópera, de 1994; O Buraco na Parede, de 1995; Diário de um Fescenino, em 2003; O Romance Morreu, de 2007, entre outros. Em seus livros despontam seres à margem da sociedade, assassinos, prostitutas, policiais, representados em um cenário povoado pela violência explícita e por uma alta voltagem sexual. Estes elementos são apresentados ao leitor através de uma linguagem austera, crua e sem circunlóquios. A ficção mesclada com fatos históricos também é uma característica da produção literária de Rubem Fonseca, como no retrato de Getúlio Vargas em Agosto, e a representação da trajetória existencial do compositor Carlos Gomes em O Selvagem da Ópera. Rubem Fonseca também escreveu críticas cinematográficas para a revista Veja, em 1967. Recebeu, ao longo de sua carreira literária, várias premiações importantes, entre elas o Prêmio Camões, o mais importante do idioma português. Ele foi igualmente consagrado por seus roteiros escritos para o cinema, recebendo o Coruja de Ouro por seu roteiro Relatório de um Homem Casado, de Flávio Tambelini; o Kikito de ouro, no Festival de Gramado, pelo longa-metragem Stelinha, dirigido por Miguel Faria; e o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, pelo roteiro de A Grande Arte, acima citado. Ele criou um personagem que se imortalizou nos meios literários – o advogado Mandrake, despido de valores morais, sempre cercado de mulheres, habituado a circular pelo ‘underground’ carioca. Este protagonista foi transportado para as telas da TV em uma série popular do canal HBO, vivido pelo ator Marcos Palmeira, em roteiro adaptado pelo filho de Rubem. Viúvo, pai de três filhos - Maria Beatriz, José Alberto e o diretor de cinema José Henrique Fonseca, o escritor era uma pessoa retraída e pouco se expunha diante da mídia. Sempre respeitado e admirado por seus amigos como uma pessoa modesta, amável e bem-humorada, faleceu no dia 15 de Abril do ano de 2020, aos 94 anos, decorrente de um infarto, em plena pandemia de Covid-19.

    64 Livros
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    Juiz de Fora, Brasil

    José Rubem Fonseca