Os livros de Rubem Fonseca estão entre os raros que não passo adiante depois de ler, pois sempre guardo para ler novamente outro dia. E não à toa: li a maioria dos que tenho aqui duas ou três vezes. E a cada vez que leio de novo, mais aprendo e mais fico fascinado pela força da prosa de Rubem Fonseca. Ele foi o meu escritor favorito durante um período muito especial de minha vida, quando eu estava escrevendo meu primeiro livro, “O Sincronicídio” (https://caligo.lojaintegrada.com.br/o-sincronicidio-fabio-shiva). E hoje ele não deixou de ser favorito, eu é que passei a apreciar outros universos narrativos com a mesma intensidade que antes era exclusiva aos livros de Rubão.
Ao saber de seu recente desencarne, senti uma saudade fininha e quis voltar uma vez mais a esse mundo tão conhecido e querido. Escolhi, quase que aleatoriamente, “O buraco na parede”, lido apenas duas vezes. Nessa terceira leitura, me diverti elaborando uma breve lista das constantes (ou quase-constantes) da prosa de Rubem Fonseca:
1) A maldição do macho irresistível
Os heróis de RF geralmente fazem um tremendo sucesso com as mulheres, e o mais curioso é que eles geralmente consideram essa condição como uma espécie de fardo: a “maldição do priapismo”. Um dos melhores exemplos disso está no conto “O anão”, onde o herói é disputado acirradamente por duas mulheres, em consequência de um estado de tesão constante, que o faz “dar nove sem tirar”, provocado pela vida de bancário, “pegando em dinheiro dos outros o dia inteiro”.
2) O tempero bizarro
As desventuras amorosas do herói geralmente trazem como pano de fundo (ou primeiro plano) alguma situação bizarra, do tipo que só encontramos nas histórias de RF. Um ótimo exemplo é o conto “Placebo”, que retrata a sofrida saga do protagonista para encontrar um feto de três meses, que será utilizado para preparar um feitiço capaz de curá-lo de uma sinistra doença degenerativa.
3) A narrativa seca na primeira pessoa
Essa é uma combinação espetacular: o protagonista conta ele mesmo, em uma linguagem seca e concisa, suas peripécias de tesão incurável, sendo assediado por beldades em meio a situações para lá de bizarras. O resultado é inconfundível: a marca da prosa única de Rubem Fonseca!
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